Sábado, 20 Março 2021 08:17

Portugal abrindo, após severo lockdown

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Por Poder 360

Portugal viu a pandemia da covid-19 sair de controle em janeiro. Também viu seu sistema de saúde quase colapsar. Como resultado, o primeiro-ministro, António Costa, pediu por um confinamento geral depois de passar meses dizendo que o país não aguentaria um novo lockdown.

O presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, atendeu à solicitação e Portugal voltou a ficar em casa a partir de 15 de janeiro. Na semana seguinte, em 22 de janeiro, o governo apertou ainda mais as restrições. Dois meses depois, o país começou a sair do confinamento.

O número de novos casos diários de covid-19 passou de aproximadamente 3.000 no fim de dezembro para cerca de 10.000 na 1ª semana de 2021. No dia em que o lockdown entrou em vigor, Portugal registrou 10.633 novos casos.

As medidas imposta pelo governo foram tão apertadas quanto as do 1º confinamento, que durou de abril a maio de 2020. Apenas os serviços essenciais podiam permanecer abertos. As escolas foram fechadas. O teletrabalho virou regra e a população tinha o dever de ficar em casa.

O país atingiu o valor mais alto de novos casos diários desde o começo da pandemia em 28 de janeiro: 16.432. A partir daí, com quase duas semanas de confinamento, a situação começou a se reverter.

O país voltou ao patamar dos 10.000 novos casos por dia no fim de janeiro. Com 3 semanas de lockdown, no início de fevereiro, o número caiu para aproximadamente 6.000.

PARA FROUXAR TEM...

O presidente português estipulou que o país deveria ter menos de 2.000 novos casos diários antes de afrouxar as regras. A meta foi atingida em 18 de fevereiro, quando o país registrou 1.944 novas infecções pelo coronavírus. O governo, no entanto, decidiu manter todas as restrições.

Em março, o número de novos casos diários nunca ultrapassou 1.000. Na última semana, o valor esteve sempre abaixo de 700. Nessa 5ª feira (18.mar), foram 485. 

As restrições foram mantidas até 15 de março, quando Portugal deu início a um desconfinamento lento e gradual.

O governo temia que afrouxar todas as regras de maneira precoce poderia reverter os progressos, em relação à situação dos hospitais. Em 18 de fevereiro, data em que o número de novos casos deixou de ser superior a 2.000, havia 3.819 pessoas internadas (688 em leitos de UTI), valores considerados altos para o SNS (Sistema Nacional de Saúde).

O sistema de saúde português chegou muito perto de um colapso. Os hospitais estavam sobrecarregados.

Dois episódios ilustram a situação caótica do SNS.

No fim de janeiro, um dos principais hospitais do país, o Santa Maria, em Lisboa, tinha fila de ambulâncias à espera de atendimento. Um bombeiro que acompanhava o transporte dos doentes disse ao jornal Público que, algumas vezes, era preciso esperar 24 horas para a admissão dos pacientes.

Um hospital da região metropolitana de Lisboa, o Professor Doutor Fernando Fonseca, precisou transferir doentes depois que a superlotação fez com que o sistema que fornece oxigênio aos pacientes apresentasse falhas. 

LINHA VERMELHA

A Ordem dos Médicos de Portugal divulgou, em 18 de janeiro, uma carta aberta para alertar que a “linha vermelha” do sistema de saúde já tinha sido ultrapassada. Segundo o órgão, o país atravessava uma catástrofe.

A entidade alertou que os profissionais de saúde chegaram ao ponto de precisar estabelecer critérios de atendimento, pois não havia como “salvar todas as vidas”.

O confinamento ajudou a reduzir as internações. No auge da 1ª onda de infecções, Portugal tinha média de 1.000 pessoas internadas, sendo de 200 a 300 em UTIs. Esse patamar voltou a ser atingido em outubro.

Com a alta de casos registrada no fim de 2020 e começo de 2021, o número de doentes internados subiu de forma drástica. Em 1º de janeiro, eram 2.806 (483 em UTI). Em 1º de fevereiro, 6.869 (865 em UTI).

Os números começaram a baixar gradativamente a partir de 8 de fevereiro.

Em um documento (íntegra – 1 MB) divulgado pela DGS (Direção Geral da Saúde) em 13 de março, o governo português estipulou os indicadores principais que devem nortear as ações de enfrentamento da pandemia a partir do desconfinamento: número de novos casos, o Rt (taxa de transmissibilidade) e internações em UTIs.

Para não sobrecarregar o SNS, o número de internados em UTIs não pode ser superior a 245. Essa meta só foi atingida no último domingo (14.mar.2021), quando havia 242 pessoas hospitalizadas em cuidados intensivos.

DESCONFINAMENTO A CONTA-GOTAS

O primeiro-ministro português anunciou o plano de desconfinamento em 11 de março. Segundo António Costa, a saída do lockdown seria “a conta-gotas”.

Salões de beleza, barbearias, bibliotecas e livrarias puderam reabrir as portas em 15 de março. Também voltaram a funcionar as creches, o pré-escolar e as escolas do 1º ao 4º ano do ensino fundamental.

Estabelecimentos de bens não essenciais podem funcionar em regime de entrega a domicílio ou retirada no local.

O teletrabalho e o recolhimento domiciliar continuam em vigor.

Essas regras valem até a Páscoa. A partir de 5 de abril, elas serão flexibilizadas a cada 15 dias. O desconfinamento total está previsto para 3 de maio.

O plano conta com datas para o início de cada fase, mas o primeiro-ministro avisou que elas dependem da situação epidemiológica do país.

O que vai acontecer a partir de agora depende de todos nós e da forma como se conseguirá manter a disciplina individual e do cumprimento escrupuloso das regras. Vacinação, rastreamento e testagem são instrumentos complementares. O essencial é o comportamento de cada um de nós” declarou Costa ao anunciar o plano.

Ele apresentou um quadro que conjuga dados do número de novos casos por 100 mil habitantes e o Rt. Quatro cores foram determinadas: verde, amarelo, laranja e vermelho. Nesse momento, Portugal está no verde. O país tem Rt de 0,80 e taxa de 79,1 casos de infecção por 100 mil habitantes, segundo o último boletim divulgado pela DGS.

Se voltar para o laranja ou vermelho, o desconfinamento será “cancelado”.