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NFL e seu mundo onde o dinheiro e sucesso são jardas de vitórias

De uma liga de operários ao maior evento esportivo do planeta

Por The NEWS

07/09/2025 - 09:33

unnamed - 2025-09-07T093327.241.jpg (Imagem: Lucas Lopes | CNN)
Pela segunda vez na história.

O Brasil foi palco de um jogo da maior liga de futebol americano do mundo, a NFL.
Se os pessimistas achavam que o esporte não “pegaria” no Brasil, é bom ressaltar que foram quase 50 mil pessoas em Itaquera e quase 2M assistindo a transmissão realizada pela Globo pelo YouTube.
vitória do Los Angeles Chargers em cima do Kansas City Chiefs pela primeira rodada do torneio chamou atenção, mas a escolha do Brasil como palco é mais interessante ainda.
Nosso país já representa a terceira maior audiência da liga, que nasceu em 1920, na cidade de Canton, Ohio. Na época, os times eram formados por operários e jogadores de meio período.
Era um esporte que ninguém ligava


Durante boa parte do século 20, os EUA já eram apaixonados por esporte — mas o futebol americano não estava nem entre os favoritos.
Nos anos 1920 e 1930, o trono esportivo era dividido entre o boxe e o beisebol, com ídolos como Babe Ruth e Jack Dempsey, considerados heróis nacionais.
A NFL? Era uma liga periférica. Formada em 1920, com times criados por operários e jogadores de meio período, os jogos aconteciam em campos de terra batida, diante de plateias pequenas. Quase ninguém dava bola.
Na virada para os anos 1960, os EUA mudavam — e a cultura do país pedia um novo espetáculo. A televisão estava se tornando o novo altar do entretenimento, e os esportes que funcionavam bem na telinha ganhavam força.
O boxe, por exemplo, era estático demais. O beisebol, técnico demais. O futebol americano? Tinha ritmo, violência controlada, grandes jogadas, mascotes e cheerleaders.
Era o esporte perfeito para a TV. As emissoras NBC e CBS negociavam os direitos de transmissão, com os americanos se tornando cada vez mais atraídos pelo esporte.
Os estádios passaram a ser desenhados pensando no enquadramento das câmeras e o show começou a importar tanto quanto o placar. Mas a virada de chave veio em 1966, quando o Super Bowl foi criado.
Um verdadeiro evento cultural


(Imagem: Getty Images)
Mais do que a final do torneio — o Super Bowl se tornou o maior espetáculo esportivo e publicitário do mundo.
Na edição passada, foram 123 milhões de telespectadores só nos EUA, maior audiência da história da TV americana.
Cada comercial de 30 segundos custou em média US$ 7 milhões, e mesmo assim os espaços foram esgotados meses antes.
Marcas como Apple, Pepsi e Budweiser disputam esse palco para lançar campanhas globais, sabendo que o retorno em atenção e lembrança de marca é incomparável. Um único spot pode impactar mais do que meses de mídia tradicional.
O evento movimenta mais de US$ 1,3 bilhão em publicidade, ativações e consumo direto, tornando-se também um catalisador econômico e cultural.
É o segundo maior dia de consumo de comida nos EUA, atrás apenas do Dia de Ação de Graças (!!!!!).
Nos bastidores, artistas pagam para fazer do show do intervalo uma vitrine de alcance mundial — são mais de 190 países transmitindo o jogo.
Ok, agora voltando ao Brasil 🇧🇷 
Por aqui, tudo começa em 1969, com a TV Tupi. Partidas gravadas passaram a ser exibidas com as fitas enviadas pela CBS dias depois.
O ao vivo só chegou nos anos 90, com Luciano do Valle na Band. A ESPN consolidou a transmissão regular em 1992.
De lá pra cá, a base de fãs só cresceu. Hoje, são mais de 35 milhões no país, fazendo do Brasil o segundo maior mercado internacional da NFL, atrás apenas do México.
A NFL vale mais que Bahamas 🇧🇸 
O domínio da NFL é absoluto: Entre os 100 programas de TV mais assistidos nos EUA, no ano passado, 97 eram jogos de futebol americano.
Essa força se traduz em dinheiro. Em 2024, a liga faturou mais de US$ 23 bilhões — com uma meta de chegar a US$ 25 bilhões até 2027.
Para ter uma ideia, esse número já é maior que o PIB de países como Bahamas e Montenegro, e se aproxima de:
🇮🇸 Islândia > US$ 33 bi
🇵🇾 Paraguai > US$ 44 bi
🇧🇴 Bolívia > US$ 45 bi
O negócio passa pelos astros
Se os números da liga impressionam, os salários dos jogadores não ficam atrás. O quarterback Patrick Mahomes, do Kansas City Chiefs, QB 3x campeão do Super Bowl e considerado um dos melhores do atual ciclo, recebe cerca de US$ 45 milhões por temporada.
Esse valor é quase 3x maior que a remuneração média de um CEO das 500 maiores empresas dos EUA, que gira em torno de US$ 18,9 milhões.
Outro exemplo é Travis Kelce, tight end dos Chiefs. Ele ganha aproximadamente US$ 17 milhões por ano em campo, mas ampliou ainda mais sua fortuna com patrocínios e o seu podcast New Heights, avaliado em mais de US$ 100 milhões.


(Imagem: Getty Images)
Fora das quatro linhas, o namoro — agora noivado — com Taylor Swift, transformou o casal no centro das atenções globais, somando fãs que antes nunca tinham visto uma bola oval voar.
Estima-se que o “Taylor Swift Effect” tenha gerado mais de US$ 120 milhões em publicidade para a liga — isso inclui aumento de audiência, vendas de produtos, mídia espontânea e patrocínios.
Mas Travis está longe de ser o mais bem pago…
Dak Prescottquarterback do Dallas Cowboys, assinou um contrato que o coloca como o jogador mais bem pago da liga: US$ 60 milhões por temporada.
O Cowboys é avaliado em US$ 13 bilhões, sendo o time esportivo mais valioso do mundo — muito à frente de gigantes como Real Madrid, Yankees e Golden State Warriors.
No ano passado, os Cowboys faturaram mais de US$ 1,2 bilhão e tiveram lucro operacional de US$ 629 milhões.
Por último, mas não menos importante
A primeira partida realizada no Brasil em 2024 movimentou cerca de R$ 336 milhões para a economia local. A expectativa é que essa sexta-feira tenha superado o marco do ano passado.
A GE TV transmite ao vivo pelo YouTube a partida de NY Giants x Washington Commanders, às 14h. Outros 13 jogos acontecem entre hoje e amanhã, alguns deles com transmissão da ESPN e SporTV.