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o adeus do E.T

Messi e a Argentina: uma história que o futebol quase não contou

O maior ídolo do futebol argentino, onde se diz que é o melhor da Argentina se despediu da sua seleção

Por Lance.com.br

07/10/2026 - 08:33

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🇦🇷 O ÚLTIMO TANGO. Lionel Messi se despediu da Seleção Argentina aos 39 anos, encerrando uma história de mais de duas décadas que passou por frustrações, críticas, lágrimas e, finalmente, redenção.


Foram 208 jogos, 126 gols, 70 assistências e 6 títulos com a camisa albiceleste. Maior artilheiro, maior assistente e jogador que mais vezes defendeu e venceu com o país, Messi deixa a seleção depois de conquistar tudo. Veja aqui todas as estatísticas. 


Mas tudo isso quase não aconteceu.


Quando tinha apenas 13 anos, Messi já morava na Espanha e chamava atenção no Barcelona. A Federação Espanhola passou a trabalhar para levá-lo à seleção, enquanto Jorge Messi enviava vídeos do filho para a AFA. Um deles chegou às mãos de Hugo Tocalli, técnico das categorias de base, e despertou a atenção dos argentinos.


A resposta veio rapidamente. Em 2004, a Argentina organizou um amistoso da Sub-20 contra o Paraguai para garantir a estreia de Messi e vinculá-lo à Albiceleste. Ele entrou no segundo tempo, marcou um golaço e deu duas assistências na goleada por 8 a 0. Um DVD ajudou a Argentina a não perder aquele garoto para a Espanha. 


A relação, porém, esteve longe de ser perfeita. Messi estreou na seleção principal em 2005 e foi expulso poucos segundos depois de entrar em campo. Nos anos seguintes, enquanto acumulava títulos pelo Barcelona, passou a conviver com uma cobrança diferente na Argentina: faltava um título.


Entre 2014 e 2016, perdeu a final da Copa do Mundo para a Alemanha e duas decisões consecutivas da Copa América para o Chile. Depois da segunda derrota, nos pênaltis, anunciou sua aposentadoria da seleção. Parecia o fim. Mas Messi voltou.


A virada começou em 2021. Com Scaloni no comando e uma nova geração ao seu lado, Messi conquistou a Copa América no Maracanã, diante do Brasil. Depois vieram a Finalíssima contra a Itália e, em 2022, o título que faltava.


No Catar, a Argentina perdeu para a Arábia Saudita na estreia, mas reagiu. Messi marcou contra México e Austrália, brilhou diante da Holanda e da Croácia e chegou à final contra a França.


Em uma decisão histórica, marcou dois gols no tempo normal, outro na disputa de pênaltis e finalmente levantou a taça. Messi tinha a Copa.


A partir dali, a discussão mudou. O argentino já não precisava provar que poderia liderar a seleção, conquistar títulos ou ser comparado a Maradona. Ele havia feito tudo isso, e deixava para trás uma trajetória marcada justamente pela cobrança de que não conseguia repetir pela Argentina o que fazia pelo Barcelona.


Depois de mais de 20 anos, chegou ao último jogo. Em uma noite inesquecível no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, mais que lotado, a Argentina venceu a seleção de Benin por 3 a 0.


Otamendi e Nico Paz marcaram após mais duas assistências do craque, e ele mesmo fechou o placar em cobrança de pênalti magistral no segundo tempo. Highlights. 


O duelo encerra uma era. Aquele garoto que quase foi espanhol, que precisou de um DVD para ser descoberto pela própria seleção, que chorou após finais perdidas e chegou a anunciar a aposentadoria, termina sua história como campeão mundial, maior artilheiro e jogador com mais partidas pela Argentina. As homenagens no minuto 10’ do jogo demonstram sua grandeza.


Por muito pouco, essa história poderia nunca ter começado. No fim, terminou com Messi conquistando tudo o que um argentino poderia sonhar.