Geral

Geral

O CUSTO DA DESTRUIÇÃO DA AMAZÔNIA, SEGUNDO ESPECIALISTA

Por Redação AgN

02/07/2023 - 10:22

Especialista mundial estima custo para Brasil deter a destruição da Amazônia
Brasileiro José Silva, professor da Universidade de Miami, calcula que o Brasil gastaria de US$ 1 a 1,6 bilhão para aumentar para 83% a parcela de áreas protegidas da floresta
São Paulo, 30 de junho de 2023 – O Prof. Dr. José Maria Cardoso da Silva, referência científica mundial na conservação da Amazônia, afirmou que, para resguardar a biodiversidade da floresta de forma concreta, será necessário aumentar a área protegida do bioma dos atuais 51% para 83%. A expansão demanda um investimento de US$ 1 bilhão a US$ 1,6 bilhão para criar as novas unidades de conservação (UCs) e terras indígenas e um gasto anual de US$ 1,7 bilhão a US$ 2,8 bilhões para manter em funcionamento todas as atuais e novas áreas protegidas, calcula o especialista brasileiro, que é atualmente professor da Universidade de Miami e já esteve à frente de todos os programas de conservação da ONG Conservation International em dezenas de países. José Silva apresentou a sua análise em vídeo produzido pelo Conselho Regional de Biologia da 1ª Região (CRBio-01), que tem como referência seu artigo Minimum costs to conserve 80% of the Brazilian Amazon (em tradução livre, “Custos mínimos para conservar 80% da Amazônia brasileira”). A Amazônia se estende pelos territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, mas a maior parte do bioma, cerca de 60%, uma área de 4,3 milhões de km², está no Brasil. É na porção brasileira que ocorre o maior processo de desmatamento da floresta, destaca José Silva. Para deter a destruição, o Brasil precisa proteger 3,6 milhões de kmdos 4,3 milhões de km², ou seja, 83%. A meta é fruto do consenso científico estabelecido na virada do milênio por um grupo de trabalho criado pelo governo brasileiro, que reuniu cientistas e representantes da sociedade civil, populações locais e empresariado. Com base nas propostas do grupo, que se valeu de metodologia científica, o governo federal emitiu o Decreto 5.092/2004, que identifica as áreas prioritárias para a conservação na Amazônia. Do território de 3,6 milhões de km2 necessário para a conservação do bioma, grande parte já está protegida por meio de UCs federais e estaduais (31,2%) e terras indígenas (30,3%). A porção desprotegida inclui terras públicas não designadas (16,5%) e terras supostamente privadas (21,7%). A primeira medida, propõe José Silva, seria criar UCs e reservas indígenas em terras públicas não designadas. Apesar dos possíveis entraves políticos, esse procedimento tem execução relativamente simples, uma vez que as áreas são da União e dos estados. O maior desafio seria a criação de UCs na porção com terras privadas (em 21,7% dos 3,6 milhões de km2), denominada por José Silva zona de ocupação consolidada, que, apesar do nome, possui uma situação fundiária caótica. Nessas áreas predominam propriedades onde a floresta foi parcial ou totalmente derrubada e substituída principalmente por pastos para a criação de gado ou, em menor escala, por culturas agrícolas. Mas como seria possível transformar terras privadas em áreas consolidadas em UCs? Na Amazônia, os proprietários são obrigados por lei a proteger entre 50% e 80% de suas terras em ecossistemas naturais ou ecossistemas restaurados. Essas áreas são conhecidas como reservas legais ou áreas de proteção permanente.
“Já temos no Brasil um mecanismo legal que permite que as reservas legais e as áreas de proteção permanente possam ser convertidas em unidades de conservação por meio da criação de reservas particulares do patrimônio natural (RPPNs). Nossa proposta é que o governo facilite, em parceria com o setor privado, um grande programa com incentivos para que os proprietários transformem as áreas que eles devem proteger legalmente em RPPNs”, defende José Silva.
Assista aqui ao vídeocom a entrevista com José Silva e leia uma reportagem sobre o tema na recém-lançada edição da revista O Biólogo.
  ... REAÇÃO AGNORTE Por Marlen Lima Acima expomos este artigo, deste 'especialista', que se não vive aqui, não está no Brasil, e se não for uma amazônida, de nascimento, onde tenha vivido e visto de perto o que é ser amazônida, estar ali vivendo da floresta, como cabôco, eu creio que ele não está devidamente balizado para dizer o que tem dito. Se for um cara do Norte certamente ele teria uma visão menos catastrófica como apresentou acima com alguns números. Cabe, aqui, eu como jornalista e amazõnida, cabôco da região poder apresentar, sim, textos como este acma para um bom debate, a devida reflexão de vários lados, porque a defesa de se aumentar mais e mais reservas indigenas e áreas de conservação quando já temos além disto efetivados, é insano, é andar para trás, e não querer ver a maior região do país também ser desenvolvida, forte economicamente. Cito Roraima, por exemplo, que é um estado que é cercado de Norte a Sul por reservas indígenas, e mais áres de conservação, impossível se deixar que propostas goernamentais se concluam nesta retrógada intenção. Roraima foi um erro fenomenal quando se deu tanta terra aos índios que hoje vivem pior do que antes, e o formato da criação da reserva em 'continua, e não em ilhas, como uma maioria indígena deseja do Estado, mas, não foi ouvida. Assombra-me ver posições como deste 'especialista', que respeito seus estudos, mas, duvido que assim seja esses cálculos. Deve-se calcular o quanto que se precisa de médicos, e de energia segura, internet para os ribeirinhos, e vida digna para quem da floresta vive, e junto com ela respira e quer ali estar, mas, com qualidade de vida. O Norte precisa é de ter se espaço garantido, e fortalecido...