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Luis Fernando Verissimo (1936-2025)

UM ADEUS cheio de sorrisos, e, sim, cheio de muita graça, afinal, LFV era um cara muito espirituoso...

Seguiu o pai, e tão magistral como foi Erico Verissimo, seu filho, Luis Fernando Verissimo fez história como escritor

Por Marlen Lima - Redação AgN

30/08/2025 - 09:05

Luís Fernando Verissimo - foto Marcelo Curia.jpg

Sim, ele partiu, e não se sabe para onde, e espera-se que em Cristo seja velado, e na Casa do Pai possa levar seu humor...Sim, faleceu um dos grandes escritores do país, que muito li, e muito cresci com Luis Fernando Verissimo (1936-2025). 

O escritor morreu neste sábado (30), aos 88 anos. Internado, há cerca de três semanas, com princípio de pneumonia, ele se foi em silêncio, discreto, mineiramente.

Eu tive o prazer de poder ler várias obras de LFV, que sem dúvida construiu uma carreira consolidada como escritor entre as décadas de 1960 e 2010.

Sim, ele tinha na veia e isto vinha de família, o seu pai, Erico Verissimo (1905-1975) também é considerado como um dos grandes autores do Brasil.

Conta a história, que ainda que tenha tido o pai que teve, curiosamente, porém, LFV afirmou que nunca teve o costume de conversar com o pai sobre literatura, o que teria sido um dos motivos para ter começado a escrever seus textos tão tarde, já com mais de 30 anos.

Mas, isso não significa que o contato com os livros do pai não estivesse presente de alguma forma.

Em entrevista ao Zero Hora,
em 2012, Luis Fernando Veríssimo relembrou:

“Muitas vezes eu sentava do lado dele à mesa e já lia quando a página saía da máquina de escrever. Ele escrevia muito rapidamente, deixando espaço entre as linhas. Depois ele mesmo corrigia, acrescentava coisas. Ele mesmo passava a limpo. E eu acompanhava esse processo”.


Questionado sobre o que destacaria na obra do pai, respondeu: “Como todo mundo, eu prefiro O Continente. Acho que é o grande livro do pai, da obra inteira dele. E eu gosto muito desse personagem, a Luzia, justamente por ser um personagem completamente deslocado”.

Já ao “Conversa Com Bial”
, da TV Globo, anos depois, foi questionado pelo apresentador Pedro Bial: “Você chegou a ler originais de seu pai antes de serem [publicados]?”.

“Sim, quando ele começou a escrever O Tempo e o Vento, que é uma trilogia romanceada da história do Rio Grande do Sul, eu acompanhei os primeiros escritos”, disse Luis Fernando Verissimo.

Um azul, outro vermelho

O autor também revelou um fator de ‘discórdia’ entre pai e filho: gaúchos, um torcia para o Grêmio e o outro para o Internacional.

“Ele era torcedor de um time chamado Cruzeiro, porque tinha escutado muito na escola, o ‘Cruzeiro do Sul’. Quando o Cruzeiro acabou, ele, por alguma razão inexplicável e misteriosa, preferiu o Grêmio em vez do Internacional. A gente não fala disso em casa”, relatou.


Quem foi Erico Verissimo?

Erico Verissimo morreu em 28 de novembro de 1975, após sofrer um enfarte em sua casa, em Porto Alegre, aos 70 anos de idade. Entre suas principais obras estavam Os Fantoches, seu primeiro livro, Clarissa, seu primeiro romance, Olhai Os Lírios do Campo, a trilogia O Tempo e o Vento, O Continente, O Retrato e O Arquipélago. Em 1954, recebeu o prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra.

Quem foi Luís Fernando Veríssimo?
Este foi autor de muita obras cheia de contos, e histórias, do dia a dia, do cotidiano com um olhar aguçado, e com muita espiritualidade crônica, de leveza, e de malícia, como poucos sabia da alma do cidadão comum, e encanta até hoje com seus livros como:

Diálogos impossíveis' (2012) A coletânea de crônicas foi o último livro de Verissimo, que publicou a maior parte de sua obra pela Objetiva. - 'Ed Mort' (2001) -Todas as histórias do detetive que fez sucesso no cinema e na TV. - 'Os espiões' (2009) Verissimo dizia que esse foi o primeiro romance que escreveu sem ser por encomenda. - 'O melhor das comédias da vida privada' (2004) Seleta da série consagrada de crônicas sobre o cotidiano. -'Todas as histórias do Analista de Bagé' (2002) Aventuras do freudiano gaúcho adepto da terapia à base de joelhaços. - 'Comédias para se ler na escola' (2000) Maior best seller do autor, com 1,2 milhão de exemplares vendidos. - 'O clube dos anjos' (1999) Romance sobre a gula e os prazeres da mesa. - 'Aventuras da família Brasil' (2005) Pelos quadrinhos, o dia a dia desta família de classe média se transformou em um clássico. - 'As cobras' (1975) As cobras foram sua forma de discutir religião, política e futebol apesar da censura imposta pela ditadura. - 'As mentiras que os homens contam' (2000) Coletânea de crônicas elenca as mentiras contadas pelos homens para proteger os outros, principalmente as mulheres. - 'O opositor' (2004) Um romance de suspense engenhoso, alegórico e bem-humorado. - 'O jardim do diabo' (1987) Em sua incursão ao thriller, Verissimo mantém seu humor afiado.

E tem muito mais...Ele partiu, mas, deixa o seu legado, e você, pode viajar em suas linhas...

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Com Jovem Pan

e tendo informações do Estadão Conteúdo

Publicado por Nícolas Robert

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