O debate que sintetiza com clareza o erro mais custoso da direita brasileira
Por Leandro Ruschel
29/09/2025 - 22:05
Leandro_Ruschel.webp
O recente embate entre o antropólogo Flávio Gordon e um notório investidor, nas redes sociais, sintetiza com clareza o erro mais custoso da direita brasileira. Ferri escreveu: “a disputa não é ideológica, é disputa por poder.” Gordon rebateu lembrando que a esquerda só consegue acumular poder porque nunca o exerce em estado “puro”: seu poder está sempre ancorado em uma ideologia que dá coerência, sentido histórico e capacidade de mobilização. É um ponto devastador. Quem acredita que pode disputar poder sem ideologia já entra no jogo derrotado. Esse equívoco — de acreditar que bastam cálculos materiais ou pragmatismo estratégico — não é apenas brasileiro. É um erro ocidental mais amplo, derivado da crença iluminista de que o progresso econômico, por si só, geraria progresso político e moral. Mas a realidade sempre cobra seu preço. Tenho “lugar de fala” para tratar do tema: atuo há mais de vinte e cinco anos no mercado financeiro e conheci de perto todos os seus atores, dos pequenos traders a bilionários que controlam bancos e corretoras. De modo geral, os participantes do mercado compreendem que ele é um mecanismo formidável de geração de prosperidade. O que quase nunca percebem é que o mercado não se sustenta por si só. Sem uma superestrutura política sólida, ele inevitavelmente colapsa. Esse é o erro fundamental dos chamados “liberais”: acreditar que basta liberar as forças econômicas para que, de forma automática, floresça também a liberdade política. O caso da China é a demonstração mais eloquente desse erro. Durante décadas, o Ocidente despejou trilhões de dólares em sua economia, convencido de que a liberalização econômica levaria, quase por inércia, a uma abertura política. Ocorreu exatamente o oposto: o regime comunista tornou-se mais rico, mais sofisticado e mais eficiente em seus mecanismos de controle social. A lição é inequívoca: prosperidade e liberdade só se sustentam quando alicerçadas em um verdadeiro Estado de Direito, com instituições capazes de limitar o poder estatal e proteger as liberdades individuais. Foi assim que os Estados Unidos prosperaram: primeiro, erguendo uma ordem política sólida; depois, colhendo uma explosão de prosperidade econômica. O drama do nosso tempo é que, em vez de inspirar reformas liberais e democráticas na China, o Ocidente tem se deixado moldar pelo exemplo autoritário chinês — e hoje caminha para se parecer mais com a ditadura que pretendia transformar. “Somos todos admiradores da China”, declarou recentemente um ministro do Supremo. Instituições políticas não surgem do nada. Elas só se mantêm se houver uma massa crítica de cidadãos moldados por valores comuns. No Ocidente, esses valores foram essencialmente cristãos. Até mesmo Richard Dawkins, ateu militante, já reconheceu que sem cristianismo a civilização ocidental perde coesão interna e se torna vulnerável a culturas menos civilizadas, mas mais unidas por crenças comuns. O conservadorismo entende esse ponto: liberdade não é uma consequência automática do mercado, mas fruto de tradições, instituições e crenças transmitidas ao longo de séculos. O liberalismo clássico floresceu porque foi sustentado por essa matriz cultural. Liberais brasileiros, porém, tratam tais fundamentos como dados garantidos — e por isso não percebem que, sem eles, o próprio mercado se dissolve. Frank Underwood, personagem de House of Cards, captou esse princípio de forma cínica, mas precisa: “Eu não respeito quem não sabe a diferença entre dinheiro e poder.” Dinheiro deriva do poder, e o poder deriva de uma ideologia. Olavo de Carvalho reforçava a mesma ideia ao lembrar que a medida do poder de um líder é o número de pessoas dispostas a lutar e até morrer por ele. A questão se impõe: quem vence em um conflito? O investidor que busca apenas aumentar o seu patrimônio, ou o militante que acredita estar engajado em uma cruzada redentora contra a opressão? A esquerda contemporânea opera precisamente nessa lógica. É uma religião secular. Substitui Deus pelo Estado, promete salvação pela justiça social e criou sua própria escatologia: a crise climática como tribunal dos pecados capitalistas. Seus militantes não enxergam sua luta como mera disputa de interesses, mas como guerra santa. E por isso lutam com fervor e disposição de sacrifício que nenhum cálculo material consegue igualar. Enquanto isso, parte da direita insiste em acreditar que prosperidade econômica basta como resposta política — ignorando que até Marx reconhecia que o socialismo só poderia emergir em sociedades capitalistas avançadas, exatamente porque dependia do excedente econômico que elas geravam. A verdadeira oposição ao socialismo não pode se apoiar apenas no liberalismo econômico. Ela precisa ser conservadora. Só o conservadorismo reconhece a falibilidade da natureza humana e valoriza a tradição como fonte de estabilidade, ordem e liberdade. O que muitos chamam de “guerra cultural” é, em essência, uma guerra espiritual. De um lado estão aqueles que buscam recriar o “novo homem”, abolindo os valores que sustentaram nossa civilização — um projeto que, no século XX, custou mais de cem milhões de vidas e um sofrimento indescritível. Do outro, aqueles que reconhecem a imortalidade da alma e sua ligação com o Criador, que nos concede o dom da liberdade e o chamado para escolhê-lo. É nesse ponto que a troca entre Gordon e Ferri revela toda a sua importância: não se trata de um detalhe acadêmico, mas da chave da disputa política do nosso tempo. Quem imagina poder disputar o poder sem ideologia acaba, inevitavelmente, reduzido a peão nas mãos dos próprios opositores. O Brasil, como parte do Ocidente, encontra-se nessa encruzilhada: sem fundamentos espirituais e culturais sólidos, não apenas perdemos as liberdades básicas, mas até mesmo a compreensão do que elas significam. O desfecho, então, torna-se previsível — ser engolidos por forças que não hesitam em impor sua visão de mundo pela força. A Folha chama a destruição do Estado de Direito de simples “heterodoxia” ou, no máximo, de “excesso”
A “imprensa” brasileira tem responsabilidade direta pela consolidação de um regime de censura e perseguição política no país. E talvez o mais patético seja acreditar que aqueles que hoje controlam o poder irão, por livre iniciativa, abrir mão dele. “O Brasil ganha quando o bolsonarismo perde”, afirma editorial do Estadão
Enquanto o Brasil consolida um regime de censura e perseguição política, o Estadão — hoje reduzido a aparelho midiático do sistema — comemora o fato de o chamado “bolsonarismo” estar sendo proscrito. Nada surpreendente vindo do panfleto tucano que inaugurou o processo de perseguição, ao criar listas negras de “bolsonaristas”, depois aproveitadas pelo regime. Será curioso observar, nos próximos anos, o próprio Estadão ser fechado pelo mesmo regime que hoje festeja — ou, no mínimo, ter de se curvar por completo à censura, tal como já fez a Jovem Pan. Tudo o que você precisa saber sobre a “melhora” da popularidade do Descondenado está neste gráfico
O regime vem expandindo de forma agressiva as bolsas de todo tipo. É daí que vem a base de sua aprovação. Mesmo com dados de um instituto de viés de esquerda, a tendência é evidente: a percepção sobre o regime é completamente distinta entre quem trabalha e quem é sustentado pelo Estado. Esse sempre foi — e sempre será — o modus operandi dos socialistas
O Partido Comunista Chinês é profundamente corrupto. Esses processos por “corrupção” nada mais são do que uma ferramenta de expurgo, ou seja, provavelmente o sujeito entrou em conflito com o regime e será eliminado por isso. FBI revela presença de quase 300 agentes à paisana no Capitólio, em 6 de janeiro de 2021 O diretor do FBI, Kash Patel, admitiu que cerca de 300 agentes estavam presentes nos eventos de 6 de janeiro de 2021, durante o protesto contra a certificação das eleições do ano anterior. A revelação contrasta com as reiteradas negativas oficiais sobre a presença extensiva de agentes federais no episódio. Além disso, vieram à tona dezenas de mensagens internas de agentes enviadas à corregedoria, denunciando a perseguição a conservadores e a aplicação de um duplo padrão em relação à esquerda. Soa familiar? Por que Barroso resolveu fazer um tour por todos os aparelhos de propaganda do regime nos últimos dias? O nível de cinismo é assombroso. Disse que é “errado fazer impeachment de ministro por discordar de suas decisões”. Mas quem está defendendo impeachment por mera discordância? Os pedidos são motivados por uma sucessão interminável de violações aos direitos fundamentais e à própria Constituição — algo reconhecido inclusive pelo governo da mais longeva democracia do mundo, que já impôs sanções ao regime brasileiro justamente por isso. Tentativa de assassinato? Em que momento houve uma tentativa real de assassinato contra Lula?
No seu tour pelos órgãos de propaganda do regime nos últimos dias, Barroso chegou ao cúmulo de afirmar que houve uma TENTATIVA DE ASSASSINATO do Descondenado. Ele se apoia em um documento produzido por um militar, que tudo indica não passou de um devaneio isolado — sem planejamento, sem preparação, sem qualquer tentativa de execução. Quem efetivamente sofreu tentativas de assassinato foram o ex-presidente Bolsonaro e Donald Trump. No desespero de justificar o mar de violações aos direitos fundamentais promovidas pelo Supremo nos últimos anos, parece que vale recorrer a qualquer narrativa fabricada. Como já havia adiantado, a censura e a perseguição política são a antecâmara da eliminação física dos opositores do regime
A militância de redação já iniciou uma campanha pelo envio do ex-presidente Bolsonaro a um presídio, com o claro objetivo de levá-lo à morte. Um dos militantes — integrante do conselho editorial da Folha — chegou a justificar essa possível execução indireta, alegando uma suposta “insensibilidade” de Bolsonaro diante das mortes na pandemia. Não se enganem: eles não querem apenas censurar e perseguir conservadores, mas eliminá-los. Hoje miram em Bolsonaro e em seu círculo, mas o ódio é contra todos que não se curvam à agenda socialista. Sem anistia, não haverá pacificação
Muito bem, Tarcísio. O único caminho viável para pôr fim ao regime de censura e perseguição política no Brasil é a Anistia. O correto seria a ANULAÇÃO de todos esses processos, diante de suas patentes nulidades. Mas, como isso depende do próprio Judiciário, sabemos que jamais acontecerá.