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COLUNA POLÍTICA

A disputa silenciosa por poder e o que a “dosimetria” realmente significa para o Brasil

Por Leandro Ruschel

12/12/2025 - 10:40

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Câmara aprova PL da Dosimetria, que reduz pena de Bolsonaro e aliados
A aprovação do PL da Dosimetria na Câmara dos Deputados foi apresentada como um passo rumo à “pacificação”.
Na prática, porém, o movimento está muito distante de restaurar o Estado de Direito, devolver liberdades fundamentais ou reparar a injustiça cometida contra perseguidos políticos que ainda hoje vivem sob prisão, exílio ou restrições desproporcionais. O que está em jogo é menos jurídico e mais político — e envolve interesses distintos entre esquerda e centrão no rearranjo do poder nacional.
A resposta é simples: não há interesse político em concedê-la. A esquerda opera dentro de um projeto hegemônico, de poder concentrado, que não tolera dividir espaço nem abrir mão da narrativa construída. Não há ali uma visão democrática plural; há a intenção de manter controle.
O centrão, por sua vez, não compartilha desse projeto totalitário, mas carrega outra preocupação: a direita organizada representa uma ameaça real. Foi ela que, anos atrás, emparedou o establishment e desencadeou um terremoto político sem precedentes — que atingiu partidos, líderes e estruturas inteiras.
Por isso, o centrão deseja o apoio da direita nas próximas eleições, mas não quer Bolsonaro, nem suas principais lideranças, justamente por enxergar nelas a possibilidade de um novo abalo sísmico no sistema. A solução encontrada? Reduzir a pressão política, aliviar o sofrimento dos presos, mas impedir sua participação eleitoral.
É um cálculo de conveniência, não de justiça.
A medida reduz o regime fechado e favorece progressões, mas não repara o abuso: muitos desses condenados receberam penas mais altas que homicidas, enquanto criminosos de colarinho branco — alguns com décadas de condenações — circulam livremente, rindo da própria impunidade.
Ainda assim, há um aspecto humano positivo: diminuir o sofrimento dessas pessoas inocentes — muitas delas idosas e com sérios problemas de saúde —, que têm enfrentado um terror sem precedentes.
Mas nada disso altera o fato crucial: as decisões no Brasil atual deixaram de ser jurídicas. São essencialmente políticas.
O cenário ganha ainda mais complexidade após a revelação do contrato milionário entre o Banco Master e a esposa do ministro Alexandre de Moraes. O vazamento, vindo pela Polícia Federal e entregue ao maior veículo alinhado ao governo, sugere um possível afastamento entre Lula e Moraes — ou o movimento inverso: Moraes aproximando-se do centrão.
Seja qual for o caso, essa disputa interna pode ser o único caminho para reduzir o poder repressivo do regime.
Embora a Câmara tenha avançado, o Senado tornou-se um campo de contenção. Nomes como Renan Calheiros e Otto Alencar já trabalham para atrasar a tramitação, evitando que qualquer preso político deixe a cadeia antes do Natal. O objetivo é cozinhar a situação, mantendo controle total sobre o tempo e o impacto político das decisões.
Tudo depende agora de como o Senado vai conduzir o tema — e, mais ainda, de como o Supremo vai reagir depois. A disputa entre esquerda e centrão moldará cada etapa desse processo, e é dentro dessa guerra silenciosa que devemos ler a dosimetria: não como uma solução, mas como um primeiro movimento na reacomodação das forças que dominam o país.
Veja mais comentários sobre o assunto:
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Gilmar revoga parcialmente decisão que alterava o processo de impeachment dos ministros do Supremo
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Impressionante o nível de submissão dos senadores ao Supremo.
Ao revogar parcialmente a decisão que mudava o impeachment de ministros, voltando atrás apenas no ponto que dava a prerrogativa da apresentação do pedido ao PGR, Gilmar Mendes admite que o objetivo era pressionar o Senado a votar uma mudança na lei — e ainda se gaba de o novo projeto incorporar pontos que ele próprio impôs na liminar, e de estar tramitando de forma acelerada.
Nunca na história brasileira o Parlamento se acadelou tanto.
Sentiu
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De qualquer forma, o recuo foi parcial. Ainda está valendo a canetada que aumenta para 2/3 de votos necessários para abrir o processo, o que, na prática, deixa a abertura de qualquer procedimento muito difícil.
Para a surpresa de zero pessoas…
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Quem poderia imaginar que a multibilionária rede totalitária globalista estaria por trás da campanha contra a Anistia aos presos políticos brasileiros?
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