O que Lula ofereceu a Trump para salvar Moraes?
A retirada das sanções Magnitsky impostas ao ministro Alexandre de Moraes, à sua esposa e à holding familiar caiu como uma notícia explosiva — embora, para quem acompanha atentamente o cenário geopolítico, não seja exatamente uma surpresa. Há dias venho alertando que essa possibilidade estava na mesa, e que a administração Trump avaliava dar esse passo. Hoje, a confirmação apenas cristaliza um movimento que já se desenhava nos bastidores. Segundo reportagem do Sam Pancher no Metrópoles, citando uma fonte do Departamento de Estado, a justificativa oficial é clara: as sanções deixaram de servir aos interesses estratégicos da política externa americana. A mesma fonte afirma que o órgão viu com bons olhos a aprovação da dosimetria na Câmara — interpretada como um gesto rumo à “normalização” das relações políticas internas e externas do Brasil. Particularmente, não acredito que a dosimetria tenha sido fator determinante nessa decisão. Serviu como narrativa, como uma boa desculpa, mas o centro da questão é outro: interesses americanos, sobretudo no tabuleiro da nova guerra fria. Veja mais comentários sobre o assunto do momento: Quem vai parar o Leviatã brasileiro? Não podemos esquecer como a Lava Jato começou a ser desmontada e, em seguida, teve início uma onda de censura e perseguição política, com a construção de um verdadeiro estado de exceção. Não foi por “ataques às instituições”. Não foi para “combater as fake news”. Não foi para “proteger a democracia”. O motivo é muito mais simples: autoblindagem. Após a decretação do ato institucional conhecido como “Inquérito das Fake News”, ainda em 2019, o primeiro movimento de relevo foi a censura de uma reportagem que expunha a revelação feita por Marcelo Odebrecht sobre o “Amigo do Amigo do Meu Pai”. Em seguida, veio a suspensão de uma investigação da Receita Federal que alcançava diversas autoridades, incluindo ministros e seus familiares, por supostas incompatibilidades de renda. Somente meses depois teve início a perseguição implacável contra a direita, com censura sistemática e prisão de parlamentares, prisão em massa de manifestantes, culminando agora na prisão do ex-presidente Bolsonaro e seu círculo mais próximo, e na intervenção direta no Congresso Nacional, com a retirada da prerrogativa constitucional de decidir sobre a prisão ou não de parlamentares. A revelação de contratos multimilionários do Banco Master com um escritório ligado a ministro — seguindo um padrão de relações promíscuas entre grupos empresariais e integrantes da Corte, regadas a voos de jatinhos para eventos esportivos internacionais, jantares sofisticados em hotéis de luxo e eventos financiados por partes interessadas em julgamentos — expõe o nível moral abissal do centro do poder. Agora, sob crescente pressão, esse mesmo centro do poder passa a operar de forma aberta e descarada em causa própria, proferindo decisões destinadas a impedir sua remoção dos cargos e acelerando investigações e condenações contra qualquer opositor, enquanto aliados são protegidos e jamais enfrentam qualquer investigação. Muitas pessoas que apoiaram tudo isso, seja por ingenuidade, seja por algum tipo de benefício obtido com esse estado de coisas, começam a se mostrar alarmadas. Parece tarde demais. O Brasil mergulha no arbítrio. O problema é que uma parte significativa do povo SABE dos abusos e APOIA, porque está favorecendo o seu lado Só tenho um aviso para esse pessoal: a história ensina que num estado de exceção, em que não há mais garantias individuais, NINGUÉM ESTÁ SEGURO. O acesso aos artigos de Ruschel são gratuitos, mas você pode ser um colaborador e fazer uma doação para apoiar seu trabalho.
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