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COLUNA POLÍTICA

Filipe Martins preso acusado do “grave” crime de fazer uma pesquisa no LinkedIn (!)

Por Leandro Ruschel

03/01/2026 - 09:30

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O ano de 2026 começa sem qualquer sinal de mudança no regime de censura e perseguição política.
Filipe Martins é alvo de mais uma arbitrariedade. Ele foi preso, supostamente, por ter acessado o LinkedIn — não para publicar algo, mas para fazer uma pesquisa.
A Constituição brasileira é clara: é vedada a censura prévia. O próprio ministro Alexandre de Moraes afirmou isso, ainda em 2020, durante um evento com jornalistas da Abraji:
“A decisão não foi censura prévia porque em momento algum eles foram proibidos de continuar na rede, de falar. Até cheguei a colocar na decisão que a abertura de novos perfis, inclusive para novas ofensas, estaria permitida e seria analisada”, afirmou o ministro. “Se a ideia fosse fazer censura prévia, a decisão deveria proibir de abrir qualquer perfil. Isso é censura prévia, se fosse a proibição de abrir qualquer perfil na rede social. Não foi essa a determinação”.

Infelizmente, a partir de 2021, o bloqueio de perfis — isto é, a censura prévia — passou a ser prática recorrente contra opositores do regime. Não sabemos exatamente quantos brasileiros foram censurados desde então, mas o número deve chegar à casa dos milhares. Basta lembrar que, no caso dos protestos de 8 de janeiro (transformados pelo regime em “tentativa de golpe”), todos os envolvidos foram proibidos de se expressar nas redes sociais, inclusive aqueles que não participaram de qualquer depredação.
Agora, o ministro foi além. Martins teria sido preso por supostamente acessar o LinkedIn — algo que sua defesa nega. Seu advogado publicou a seguinte nota no X:
“...estamos em fase de recurso contra a injusta condenação e acessamos seu LinkedIn apenas para documentar (printar) elementos do ano de 2022, para utilização nos recursos que estão sendo elaborados. Ou seja, nenhuma rede social foi utilizada, mas apenas acessada, no pleno e legítimo exercício da defesa, para combater com provas a injusta condenação. Foi isso que aconteceu. Nenhuma proibição foi descumprida. Nunca houve proibição de acesso às redes por parte da defesa. A proibição sempre foi de uso.”
Após ter ficado preso preventivamente por seis meses por causa de uma viagem ao exterior que sequer realizou, e depois de ser condenado a 21 anos de prisão por ter participado de uma suposta reunião sobre “golpe” — fato que nenhuma testemunha confirmou, exceto um delator premiado —, Filipe agora volta à prisão porque sua defesa teria acessado o LinkedIn, sem fazer qualquer publicação.
Entre os inúmeros casos de brutal perseguição política em curso no país, o de Filipe Martins talvez seja o mais explícito.
2026 não começou como os outros anos. Não porque algo “vai acontecer”, mas porque aquilo que sustentava o mundo já deixou de existir
Durante décadas, o Ocidente operou sobre uma base relativamente estável: livre comércio, previsibilidade política e uma ordem internacional ancorada em regras.
Essa base está sendo desmontada — não por acidente, mas por uma escolha estratégica.
Guerras, ideologia, impostos e poder não são fenômenos isolados. Eles fazem parte de um mesmo movimento: a disputa por quem define as regras do jogo daqui para frente.
Hoje, os Estados Unidos funcionam como a trincheira final entre uma ordem baseada em instituições e um mundo regido por força, coerção e autoritarismo.
Do outro lado, regimes que não criam riqueza — apenas concentram poder.
E o mais preocupante é que o Brasil está no meio desse conflito e já fez escolhas que terão consequências econômicas, políticas e patrimoniais.
Há pouco saiu que a China impôs tarifas de 55% sobre importação de carne bovina brasileira. E esse é apenas um exemplo dos reflexos do nosso país em meio a essa guerra.
Ignorar esse cenário não te protege dele. Não agir não é neutralidade — é exposição.
E é por isso que gravei minha aula gratuita de início de ano, que irá ao ar agora no dia 19 e você poderá acessá-la gratuitamente.
Nela, explico como essa nova ordem global afeta o Brasil, por que 2026 é um ponto de inflexão e como recalibrar decisões em um mundo estruturalmente instável.
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