PL da Escala 6x1 deve ser empurrada para 2027
Oposição articula o debate para depois, já que estudo da CNC estima custo de até R$ 235 bi por ano e empresários pedem desoneração em meio à resistência de PL e União Brasil
Em debate realizado em São Paulo, empresários e lideranças partidárias defenderam o adiamento da votação sobre o fim da escala 6 por 1 no Congresso, em meio a um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) que aponta impacto bilionário para comércio e serviços.
Os presidentes do PL e do União Brasil articulam para empurrar a discussão para o ano que vem e, se possível, impedir que a proposta seja votada, alegando que o ano eleitoral dificulta que deputados e senadores assumam publicamente uma posição contrária à escala 6 por 1.
Estudo aponta impacto bilionário
Segundo o estudo da CNC, as lojas teriam um custo adicional estimado em R$ 122,4 bilhões por ano para se adaptar ao fim da escala 6 por 1, enquanto o impacto projetado para o segmento de serviços chegaria a R$ 235 bilhões, com aumento imediato de 21% na folha salarial do setor para permitir novas contratações.
Hoje, de acordo com a entidade, 93% dos trabalhadores do varejo e 92% dos empregados no atacado cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais, o que exigiria uma reorganização ampla dos turnos.
Diante desse cenário, empresários defendem que o Congresso discuta contrapartidas para quem contrata, como a desoneração da folha de pagamento. Para o advogado Roberto Lopes, da Diretoria Jurídica e Sindical da CNC, reduzir encargos sobre a folha é fundamental para preservar o emprego formal.
"A desoneração é importante porque vai livrar a empresa de determinados encargos que encarecem o custo do trabalho, e isso impacta na diminuição das contratações, no emprego formal", afirmou.
Oposição quer travar votação
Partidos de oposição se mobilizam para barrar o avanço do projeto. Em São Paulo, durante o debate, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reforçou que a legenda vai atuar junto ao União Brasil para evitar que o texto entre em pauta neste ano.
É difícil um cidadão que é candidato a deputado federal ou a senador votar contra o 6 por 1. Nós vamos trabalhar para não deixarmos votar
Indústria pede debate só após eleições
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também vê o ano eleitoral como obstáculo para um debate mais técnico sobre a jornada de trabalho. O presidente da entidade, Paulo Skaf, apelou ao vice-presidente Geraldo Alckmin para que a discussão seja adiada.
A gente precisa que essa discussão vá para 2027, estamos abertos a debater tudo, mas em ano eleitoral as emoções, os sentimentos e as motivações muitas vezes se confundem com os interesses do país.
Governo defende redução com cautela
O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu a proposta de redução da jornada de trabalho, mas admitiu que a discussão precisa ser aprofundada e não deve ser conduzida com pressa, devido às diferenças entre os diversos ramos da economia.
Esse é um debate que não deve ter correria e precisa ser aprofundado, porque há situações muito distintas dentro do próprio setor produtivo, mas é uma tendência.
Com pressão do setor produtivo por compensações, resistência de partidos da oposição e sinalização do governo de que a redução da jornada é um caminho em curso, a mudança na escala 6 por 1 tende a permanecer no centro das negociações políticas antes de qualquer votação no Congresso.



