Investigação do Caso Master revela grupo de WhatsApp com ordens de agressão e expõe ainda mais o colapso da República
Quando muitos acreditavam que o escândalo envolvendo o Banco Master já havia atingido seu limite, novas revelações indicam que a dimensão do caso pode ser ainda mais grave.
A investigação já apontava para um rombo superior a R$ 50 bilhões, além de relações diretas e indiretas com figuras influentes da República. Agora, um novo capítulo adiciona elementos ainda mais perturbadores.
O ministro André Mendonça decretou a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A justificativa apresentada na decisão traz detalhes que ampliam significativamente a gravidade das acusações.
Segundo informações extraídas de investigações e mensagens encontradas no celular do empresário, Vorcaro participaria de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, formado por indivíduos que atuariam como jagunços. Nesse grupo, teriam sido discutidas ordens para agressões físicas contra desafetos.
Entre os episódios mencionados aparece o planejamento de ataques contra uma empregada doméstica, um chefe de cozinha e um jornalista. No caso do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, um dos participantes teria sugerido simular um assalto para, nas palavras registradas nas mensagens, “quebrar os dentes” do jornalista, que vinha publicando reportagens críticas ao banco e ao empresário.
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As revelações não param aí.
De acordo com a Polícia Federal, as conversas analisadas indicariam também que Vorcaro afirmava ter influência sobre dois ex-diretores do Banco Central responsáveis pela fiscalização do mercado financeiro. Caso confirmada, essa relação ajudaria a explicar por que irregularidades associadas ao banco teriam permanecido por tanto tempo sem uma intervenção mais dura dos órgãos reguladores.
Outro ponto levantado pela investigação envolve a atuação do mesmo grupo em atividades de espionagem digital. Há relatos de invasões a sistemas de órgãos públicos brasileiros e até de entidades internacionais, como Interpol e FBI, supostamente para acompanhar investigações e processos judiciais relacionados ao caso.
Esses elementos surgem em um contexto que já era considerado extremamente delicado.
Antes mesmo dessas revelações, o caso já envolvia suspeitas de relações entre figuras influentes do sistema político e jurídico com empresas ligadas ao Banco Master. Entre os episódios citados publicamente estavam a venda de participação societária por parte de um ministro a empresas associadas ao banco, valores elevados ligados a familiares de autoridades e pagamentos a figuras relevantes da política e do sistema jurídico.
Com as novas informações, o escândalo deixa de ser apenas um caso de fraude financeira.
Passa a incorporar elementos típicos de uma estrutura de intimidação e até violência física contra críticos, jornalistas e possíveis adversários.
A decisão de André Mendonça também incluiu críticas à atuação da Procuradoria-Geral da República. Segundo o ministro, a PGR não teria demonstrado urgência para analisar o pedido de prisão preventiva do empresário, mesmo diante da gravidade das informações apresentadas.
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O órgão solicitou prazo de 72 horas para avaliar o caso, prazo que o ministro considerou incompatível com a urgência da situação.
Essa divergência institucional amplia ainda mais a tensão em torno do episódio.
O caso Banco Master, que já era tratado como o maior escândalo bancário da história recente do país, agora assume contornos ainda mais graves, envolvendo suspeitas de violência, interferência institucional e espionagem.
As investigações continuam em andamento. E a pergunta que permanece é inevitável: até que ponto as instituições brasileiras estão preparadas para lidar com um escândalo dessa magnitude?
Quem mais da imprensa estava na folha de pagamento do Vorcaro?
Trecho da matéria de Malu Gaspar:
"Mensagens obtidas por investigadores no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero mostram que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tratou diretamente com o jornalista Diego Escosteguy o pagamento de quantias que, de acordo com a Polícia Federal (PF), serviam para a publicação de informações “de interesse do banqueiro”.
Escosteguy é dono do site O Bastidor. Segundo a PF, que anexou ao relatório prints de conversas entre Escosteguy e o banqueiro, identificado como DBV (em referência às iniciais de seu nome completo, Daniel Bueno Vorcaro), o jornalista “recebia dinheiro de DBV” para publicar as informações no Bastidor.
Procurado pelo blog, Escosteguy ainda não se manifestou.
Em uma das conversas ele inclusive informa a conta onde devem ser depositados os valores. Em uma planilha aparece referência ao seu nome e ordem de DBV para o pagamento de 2 milhões, a quem o jornalista se referia como “amigo”.
"Só pra eu não esquecer, amigo: conferi agora e ainda não fizeram o segundo pagamento", escreveu o jornalista a Vorcaro em mensagem datada de 19 de setembro de 2025, dois meses antes da Justiça Federal de Brasília determinar a prisão do banqueiro.
"Putz, vou ver. Agora", respondeu Vorcaro. “Thanks!”, replicou Escosteguy.
Em outra mensagem, dois meses depois, em 14 de novembro, o jornalista envia ao dono do Master dados bancários de uma conta do Nubank em nome de “Dez Comunicação e Tecnologia”. “Hehe”, responde Vorcaro logo a seguir.
Três dias depois, em 17 de novembro, o site de Escosteguy publicaria a nota que serviu de pretexto para que a defesa de Vorcaro entrasse com uma petição na Justiça Federal de Brasília contra “medidas cautelares eventualmente requeridas”, que poderiam provocar “impacto relevante” e causar “prejuízo irreversível a todo o conglomerado Master”.
O dono do Master foi preso naquela mesma noite, às 22h, no aeroporto internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai, com escala em Malta."
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