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Coluna Política

A mais alta corte da Itália expõe regime de censura e perseguição política no Brasil....

... impondo derrota acachapante a Moraes

Por Leandro Ruschel

13/06/2026 - 08:12

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A mais alta corte da Itália acaba de fazer o que a Justiça brasileira ainda não teve a capacidade de fazer: olhar para a atuação de Moraes e enxergar, com todas as letras, a impossibilidade de qualquer juiz ser, ao mesmo tempo, investigador, vítima, julgador e executor da sentença.
A Corte Suprema de Cassação (equivalente ao Supremo brasileiro) anulou sem reenvio (sem possibilidade de reabertura do caso) a sentença que autorizava a extradição. Não foi tecnicalidade. A decisão, depositada em 11 de junho de 2026, declara a INSUBSISTÊNCIA das condições para entregar Zambelli ao Brasil e determina sua imediata libertação. Na prática, o Judiciário italiano reconheceu que o processo conduzido sob a batuta de Moraes feriu o núcleo essencial do direito de defesa.
E o fundamento é demolidor.
Vale lembrar como o sistema brasileiro tem operado: no Supremo, o mesmo ministro investiga, prende, relata, julga e executa. A corte italiana descreveu exatamente isso. Segundo a sentença, Moraes “é pessoa ofendida do procedimento penal objeto do pedido de extradição; conduziu pessoalmente as investigações, decretou as medidas cautelares, ordenou prisões”. Ou seja: ofendido pelo crime, investigador, autor das cautelares, relator no julgamento de mérito e responsável pela execução. Tudo na mesma mão.
A corte foi além. Reconheceu que é INDISCUTÍVEL que Moraes figura como pessoa prejudicada, dado o dano “ao menos reputacional, causado pela introdução no sistema informático do Conselho Nacional de Justiça do ato relativo ao falso mandado de prisão emitido contra ele”. Traduzindo: o documento falso era um mandado de prisão contra o próprio Moraes, e foi ele quem julgou quem o teria forjado.
Há um nome jurídico para isso em qualquer democracia funcional: suspeição. Não existe justiça sem imparcialidade, e não é possível haver imparcialidade quando a vítima é o julgador.
Na verdade, o tribunal de Roma aplicou a régua da própria Corte Europeia de Direitos Humanos, citando os critérios que definem uma “negação flagrante de justiça”. E foi categórico: a falta de imparcialidade tem força contaminante, capaz de tornar sem significado todas as demais garantias do processo. Uma única peça envenenada estraga o caldo inteiro.
Enquanto isso, o que fez o Estado brasileiro? Confrontado com os indícios de parcialidade, o governo Lula respondeu com burocracia, ancorado em “meras considerações de caráter formal”, sem enfrentar o mérito da acusação.
O golpe final está no diagnóstico sobre o conjunto da obra. Os juízes italianos não viram irregularidade pontual, viram um processo inteiro maculado, com a quebra de imparcialidade lançando “uma sombra de preconceito sobre seu desenvolvimento completo, da admissão das provas até a pronúncia da decisão final”. É a descrição precisa de um estado de exceção operando sob a fachada de legalidade.
Vale registrar quem assinou: o presidente Gaetano De Amicis e a conselheira relatora Debora Tripiccione, magistrados de carreira da corte de cúpula de um dos países fundadores da Civilização Ocidental. Não são “bolsonaristas”. São juízes lendo os autos e constatando o óbvio que a militância de redação passou anos tentando esconder.
Porque é disso que se trata. Durante meses, fomos informados de que Zambelli era apenas uma “foragida da Justiça”. O que ninguém contou ao público foi que o juiz da causa era a suposta vítima do crime, condição que faria qualquer estudante de direito de primeiro ano apontar nulidade. Coube a uma corte estrangeira dizer em voz alta o que o establishment jurídico brasileiro tratou como tabu.
E não foi só a Itália. O caso de Zambelli é o ponto mais recente de uma sequência reveladora. Em dezembro de 2025, a Audiência Nacional da Espanha, a mais alta corte penal do país, negou em definitivo a extradição do jornalista Oswaldo Eustáquio, reconhecendo de forma expressa a “evidente conexão e motivação política” do pedido brasileiro, e rejeitou todos os recursos do governo Lula. Na Argentina, a comissão nacional de refúgio reconheceu o “temor de perseguição política” e concedeu asilo a Joel Borges Corrêa, condenado pelo Supremo pelo 8 de janeiro, travando sua entrega depois que os próprios juízes argentinos já a haviam autorizado. E nos Estados Unidos, onde Moraes foi alvo de sanções da Lei Magnitsky, a recusa foi ainda mais direta: segundo a Folha, ao analisarem o pedido de extradição do jornalista Allan dos Santos, agentes do FBI disseram às autoridades brasileiras, em reunião no próprio Ministério da Justiça, que as condutas imputadas a ele não eram crime nos EUA, esbarravam na liberdade de expressão e que o conteúdo apresentado era, na frase que ficou, “apenas palavras”.
Somados, os casos revelam um padrão. Toda vez que a engrenagem montada por Moraes é submetida ao crivo de uma instituição estrangeira que ele não controla, o veredito é o mesmo. Aquilo que no Brasil se vende como aplicação da lei, lá fora é reconhecido como o que é: perseguição política.
Esta não é apenas uma vitória de Carla Zambelli. É uma derrota acachapante de Moraes e do Supremo, e de um modelo de poder que confunde o ministro com a lei.
Na prática, o recado italiano é simples e devastador: o resto do mundo não é obrigado a fingir que o que se faz no Brasil é justiça.
É preciso, de uma vez por todas, colocar fim ao estado de exceção que foi aberto no Brasil em 2019, com o chamado “Inquérito das Fake News”. Aquilo nunca foi um inquérito no sentido próprio do termo. Foi, na prática, um Ato Institucional do Supremo: instaurado de ofício pelo então presidente da Corte, com Moraes na relatoria, sem o Ministério Público, reunindo na mesma mão as funções de investigar, acusar e julgar. Não por acaso, ainda em 2019, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu sua anulação e o classificou como um “verdadeiro tribunal de exceção”.
E isso só termina de um jeito: com o fim desse inquérito e a anulação de todas as decisões dele derivadas, acabando com a condenação, a censura e a prisão de centenas de perseguidos políticos brasileiros.
Hoje a SpaceX estreia na Nasdaq sob o ticker SPCX, e não é exagero dizer que estamos diante do maior IPO da história do mercado de capitais
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Para se ter ideia da escala, a operação supera com folga o recorde anterior, o da Saudi Aramco em 2019, que levantou 29 bilhões de dólares.
O preço saiu a 135 dólares por ação, mas vale a ressalva: não foi a precificação usual, conduzida pelos bancos a partir do apetite do mercado. A companhia foi direto a um preço fixo, pulando todo o processo de bookbuilding, a faixa indicativa que normalmente vai sendo ajustada conforme a demanda. Na prática, foi o preço EXIGIDO pela própria empresa, algo que não é nada usual em operações dessa magnitude. Com isso, a SpaceX levanta cerca de 75 bilhões de dólares e crava um valuation de 1,75 trilhão de dólares. Para efeito de comparação, isso colocaria a empresa de Musk entre as sete maiores companhias dos Estados Unidos, acima da própria Tesla, já no primeiro dia.
Há outra anomalia. Em vez dos 5% a 10% típicos reservados ao varejo, a SpaceX destinou em torno de 30% das ações a investidores comuns. Ou seja, é o mega-IPO mais “popular” que já se viu, o que tende a amplificar tanto a euforia quanto a volatilidade na largada.
Vale lembrar o contexto. Vivemos um ambiente de alta histórica nas bolsas, com otimismo exuberante que usualmente marca estes momentos. Nesse cenário, o valuation está bem puxado, ou seja, paga-se hoje, por antecipação, marcos que ainda não se traduziram em lucro consolidado. Os números do próprio prospecto entregue à SEC, o regulador americano, não deixam dúvida: no primeiro trimestre, a companhia reportou receita de 4,7 bilhões de dólares, mas também prejuízo operacional de 1,9 bilhão. A tese se sustenta menos no presente e mais na promessa, da Starship ao stack de IA absorvido com a xAI.
É difícil estimar como o papel vai se comportar nos primeiros pregões. Na prática, o movimento inicial tende a ser ditado mais por mecânica de oferta e demanda, com float reduzido contra uma demanda global, do que por fundamentos. Isso pode forçar um prêmio agressivo na abertura. Vale lembrar ainda que o lockup, período de trava para venda dos insiders, expira lá em dezembro, e quando isso acontecer pode vir uma das maiores ondas de venda da história.
Na verdade, o mais provável é que, passada a euforia e a volatilidade inicial, venha uma correção. Os fundamentos de verdade, margens da Starlink, economia da operação de IA, só começarão a aparecer nos próximos trimestres.
Dito isso, é preciso lembrar que todos que apostaram contra Musk até hoje se deram muito mal.


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