O Brasil não precisa virar uma “Venezuela” para quebrar. Basta virar uma Argentina aos poucos
Quando eu falo em Argentina, não estou falando do país depois da reação política que levou Milei ao poder. Estou falando da Argentina antes disso. Um país capturado por décadas de populismo, gasto público, moeda fraca, inflação crônica e controle estatal.
A Venezuela é o colapso extremo. Já a Argentina pré-Milei é o alerta mais provável para o Brasil, porque o desastre argentino não aconteceu de uma vez. Ele veio por meio de uma corrosão lenta e gradual.
O peso perdeu valor, a inflação virou parte da rotina, a pobreza avançou, o dólar paralelo virou referência e o governo criou controles cambiais para tentar impedir a fuga de capital.
O cidadão comum foi ficando preso a uma moeda cada vez mais fraca. E esse é o risco que muita gente ignora no Brasil.
Antes de uma crise ficar óbvia, ela costuma parecer administrável. O câmbio pressiona e o capital tenta sair.
Quando muita gente tenta proteger patrimônio ao mesmo tempo, o Estado tende a encarecer, limitar ou bloquear a porta de saída. E foi assim na Argentina.
Quem saiu antes, saiu. Quem esperou demais, ficou refém.
É por isso que diversificação internacional não é paranoia, é responsabilidade.
No replay do Clube dos 100, eu te mostro por que investidores maduros não dependem de uma única moeda, de um único governo e de uma única jurisdição.
O replay sai do ar no dia 15 de julho. Depois disso, não haverá novo acesso. Então aproveite.
Clique no botão abaixo e assista antes que acabe:
Sobre futebol brasileiro, o furo é mais embaixo. E tem a ver com o maior problema do país, hoje
Gilmar Mendes não é só ministro do Supremo. Ele é sócio-fundador do IDP, instituto que desde agosto de 2023 administra a CBF Academy, o braço de formação da entidade. O contrato garante ao IDP 84% da receita dos cursos, cerca de R$ 9,2 milhões em 2023. A CBF ficou com os 16%.
Agora observe a arquitetura.
Pelo menos seis nomes vinculados ou indicados pelo IDP ganharam postos na CBF, segundo a Piauí. Um vice-presidente, Gustavo Dias Henrique, também aparece nessa constelação de influência. O filho de Gilmar, Francisco Schertel Mendes, dirige o IDP e ainda ocupa cadeira no Comitê de Disciplina da FIFA.
E quem decide as causas da CBF que sobem ao Supremo?
Gilmar.
Em ações decisivas sobre a presidência da CBF que chegaram ao Supremo, Gilmar atuou como relator. A liminar de Gilmar Mendes reconduziu Ednaldo Rodrigues à presidência da CBF, mantendo no cargo o dirigente durante cuja gestão foi firmado e executado o contrato com o IDP. O pedido partiu do PCdoB, partido do secretário-geral da CBF. Um pedido anterior, feito pelo PSD, havia caído com André Mendonça, que negou. Trocou-se o partido, trocou-se o relator, mudou o resultado.
Ele nunca se declarou impedido.
Confrontado, negou conflito. E a defesa que escolheu diz tudo. Palavras dele: o IDP “estava organizando e cedendo seu bom prestígio à CBF, e não o contrário”.
Releia a estrutura por trás da frase. Um ministro que julga a entidade. Cujo instituto fatura com a entidade. Cujo filho comanda esse instituto. Cujos indicados povoam a diretoria da entidade. E que ainda vem a público dizer que o favor era dele.
Em agosto de 2025, uma representação pedindo a investigação do ministro por esse caso chegou à Procuradoria-Geral da República. Foi arquivada. O número dois da PGR entendeu que não havia indícios mínimos para sequer abrir apuração. Quem deveria fiscalizar olhou para a arquitetura inteira e escolheu não ver problema nenhum.
A CBF acaba sendo um símbolo da mentalidade que destruiu não apenas o futebol brasileiro, mas o país em todas as dimensões.
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