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Os “biscoitos” para a direita esconderam a reunião de Moraes com a PF

Como pequenos recuos depois da eleição serviram de distração enquanto o ministro mantinha contato com a cúpula policial ligada ao dossiê contra Mendonça

Por Leandro Ruchel

07/10/2026 - 19:45

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Dois dias depois de a oposição varrer o Senado, Alexandre de Moraes recebeu no próprio Supremo, fora da agenda oficial, o diretor-geral da Polícia Federal e o chefe de inteligência da corporação.

Um deles é o “Andrei” das mensagens de Daniel Vorcaro. Os dois são os mesmos que um ministro do Supremo afastou do cargo sob suspeita de monitorar ministros da Corte. Os dois são os mesmos que supervisionaram o dossiê que Moraes usou para tentar enfiar no Inquérito das Fake News o colega que o investiga.

A direita comemora, e tem motivos para comemorar. Mas o regime segue operando.

A vitória de domingo ainda não liquidou a fatura. E a próxima batalha tem nome: Polícia Federal.

Vamos aos fatos.

No domingo, Flávio terminou o primeiro turno à frente do Descondenado, 47% a 45% dos votos válidos. No Senado, o resultado foi avassalador: o PL elegeu 19 senadores e terá a maior bancada da Casa. Somando os aliados, a direita deve começar 2027 com cerca de 49 dos 81 senadores.

Segundo O Globo, a cúpula do Judiciário enxergou um “massacre” nas urnas. E mudou de postura.

Saiu a arrogância, entrou a sobriedade. E, de quebra, jogaram alguns biscoitos para a direita.

O primeiro biscoito foi Débora do batom. Moraes concedeu a progressão para o semiaberto. Na mesma decisão, manteve a prisão domiciliar.

A cabeleireira que escreveu “perdeu, mané” com batom numa estátua segue condenada a 14 anos, cumprindo pena dentro de casa. Mudou o nome do regime. O absurdo continua exatamente o mesmo.

O segundo biscoito foi o arquivamento de um dos inquéritos contra os jornalistas Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, depois que a própria PGR concluiu que as provas não sustentavam as acusações.

Um dos inquéritos. Dos vários. Os dois continuam no exílio, com mandados de prisão abertos. Se pisarem no Brasil, viram presos políticos na hora.

O terceiro biscoito foi o arquivamento, por Gilmar Mendes, do pedido de investigação contra Alfredo Gaspar, vice de Flávio.

A acusação de estupro de vulnerável, levada à PF por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke, era falsa.

A jovem apontada como suposta filha gravou vídeo desmentindo. Gaspar fez o DNA. A PGR pediu o arquivamento por falta de indícios. Mas a acusação ficou pendurada por mais de seis meses na cabeça do candidato a vice. Arquivar depois do primeiro turno não devolve o que foi tirado.

Biscoito serve para distrair e, enquanto a direita olhava para os biscoitos, outra coisa acontecia no gabinete de Moraes.

Para entender o escândalo, é preciso voltar ao começo

PF encontra foto de Vorcaro e Gonet fumando charuto em Londres

Em abril de 2024, em Londres, o Master de Daniel Vorcaro patrocinou um fórum jurídico e, no meio dele, pagou uma degustação de whisky Macallan com custo registrado de mais de 640 mil dólares. Segundo a imprensa, no convescote estavam Moraes, Toffoli, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que viajou a Londres com despesas pagas pelo próprio Master, como revelou o Poder360.

Depois, em outubro e novembro de 2025, Vorcaro, sentindo o cerco, mandou mensagens ao contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Numa delas, pediu para “reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem”. Em outra, suplicou: “Pelo amor de Deus, veja se consegue bloquear toda maldade.”

Para a PF, Andrei é o diretor-geral da corporação. Paulo é o procurador-geral da República. O relatório não mostra resposta de Moraes. Mas mostra a quem o banqueiro recorria e quem ele achava capaz de segurar a PF.

Vorcaro foi preso em 17 de novembro.

Em 1º de setembro de 2026, Mendonça, relator do caso Master, retirou o sigilo do relatório. E Paulo Gonet, citado nas mensagens, pediu que o relatório fosse declarado nulo. Vejam só: o “Paulo” das mensagens pedindo para anular o relatório que cita o próprio Paulo.

Dois dias depois, Moraes contra-atacou. Pelo Inquérito das Fake News, mandou Andrei enviar ao seu gabinete relatórios internos da inteligência da PF sobre Mendonça. Com base neles, pediu para incluir o colega no inquérito e o acusou de abuso de autoridade.

Relatórios sem cabeçalho oficial, sem assinatura de delegado e que declaravam não ter valor probatório.

Relatório da PF usado por Moraes para acusar Mendonça ignora normas e  impede identificação de autoria

Ou seja: o ministro citado no relatório da PF usou a polícia citada nas mensagens para mirar o juiz que o investiga.

Em 8 de setembro, Mendonça afastou Andrei e o diretor de inteligência, Leandro Almada. No dia seguinte, Flávio Dino, que indicou Andrei para a PF quando era ministro da Justiça, devolveu os dois aos cargos com uma canetada. E fez isso em um processo sem relação com o caso: o do filme Dark Horse.

O padrinho resgatando o afilhado.

Depois, Fachin, presidente do Supremo, desfez as jogadas: tirou o pedido contra Mendonça do Inquérito das Fake News, suspendeu o afastamento e suspendeu a reintegração. Mas, na prática, Andrei ficou.

Então veio o dia 15 de setembro.

O plenário do Supremo se reuniu para decidir se Moraes seria investigado. E o país assistiu a uma das sessões mais vergonhosas da história da Corte.

Gilmar Mendes apresentou uma manobra: julgar junto o caso de Moraes e o pedido de Moraes contra Mendonça. Ou seja, pôr no mesmo saco o investigado e o juiz que o investiga. E, mirando Mendonça por ter exposto o colega, o decano disparou: “Até a máfia tem ética.”

Gilmar tem razão numa coisa. A máfia tem um código. Chama-se omertà, a lei do silêncio. Para o decano, o escândalo não era o que as mensagens mostram. Era Mendonça ter quebrado o silêncio.

Detalhe: Moraes votou. Na questão que tratava dos pedidos de investigação contra ele mesmo. A favor da manobra.

Com o placar contra a manobra, Flávio Dino votou, retirou o voto e pediu vista. Resultado: o julgamento de Moraes congelado por até 90 dias, o que pode empurrar a decisão para depois da eleição.

Dino, de novo. Na semana anterior, salvou Andrei. Agora, salvou Moraes.

Enquanto isso, o caso Andrei dorme. Em 24 de setembro, Fachin pediu parecer à PGR sobre a permanência dele. A PGR de quem? De Paulo Gonet. O mesmo “Paulo” das mensagens. Até hoje, silêncio.

E na terça-feira, 6 de outubro, Moraes, vice-presidente do Supremo, recebeu em seu gabinete Andrei, Almada e um terceiro policial ligado à divisão de onde, segundo O Globo, saiu o relatório usado contra Mendonça. Estavam na sala, portanto, os chefes que supervisionaram o dossiê e o ministro que o usou.

Pauta? Ninguém informou.

Fontes ligadas a Moraes garantem que foi uma “reunião de rotina”.

Rotina. Apenas isso.

Por que isso importa para o segundo turno? Porque a Polícia Federal é subordinada ao Executivo. Se o Descondenado ficar, o Congresso que você elegeu no domingo pode ser completamente neutralizado por duas peças: o Supremo, que julga deputados e senadores, e a PF, que na prática virou o braço armado do regime.

Já vimos esse filme

Venezuela deve dar calote em 2015 com queda do petróleo, diz Société  Générale

Na Venezuela, em dezembro de 2015, sob pressão internacional, o chavismo realizou eleições minimamente livres para a Assembleia Nacional. A oposição conquistou mais de dois terços das cadeiras.

Durou pouco. O Tribunal Supremo de Justiça, aparelhado pelo regime, suspendeu a posse de deputados para quebrar a supermaioria, declarou a Assembleia “em desacato”, anulou suas decisões e, em março de 2017, assumiu formalmente as funções legislativas. O Parlamento eleito pelo povo virou enfeite.

A comparação não é exata. O chavismo controlava muito mais instituições, a começar pelas Forças Armadas. Mas não é difícil imaginar a versão brasileira, em que a PF assume a função de longa manus do regime.

E nem é preciso imaginar muito.

Até mesmo com Bolsonaro no Planalto, Moraes impôs pelo Inquérito das Fake News o controle efetivo da PF. Em 27 de maio de 2020, agentes federais cumpriram mandados contra empresários, parlamentares e influenciadores de direita por ordem dele. Perfis derrubados, censura em massa, perseguição. E a PF na linha de frente, postura que manteve ao longo dos anos seguintes.

Se fizeram isso com Bolsonaro presidente, o que não farão com o Descondenado reeleito e um Senado de oposição?

Não se iludam: a fatura ainda não foi liquidada. E nem a vitória de Flávio no segundo turno a liquida. O aparelho continua lá: o Supremo, a PGR de Gonet, a cúpula da PF que despacha no gabinete de Moraes.

Mas a diferença entre os dois cenários é enorme.

Com Flávio, a caneta que nomeia o diretor-geral da PF muda de mão. Com o Descondenado, abre-se um conflito permanente entre um Congresso eleito e um aparelho que não aceita o resultado das urnas, com desdobramentos potencialmente catastróficos para o país.

Não esqueça: uma minoria organizada, com o controle de postos-chave, pode muito bem subjugar um país. É assim que opera qualquer ditadura. Não precisa de maioria. Precisa das chaves.

Por isso, é hora de multiplicar o engajamento para tirar o Descondenado do Planalto. E de manter a pressão para que o bolsonarismo não repita o erro de achar que pode negociar com um sistema que quer destruí-lo.

Os biscoitos desta semana são exatamente o convite para esse erro.

No domingo, o eleitor falou nas urnas. Na terça, o regime respondeu a portas fechadas, no gabinete de Moraes.

Se a PF continuar sendo o braço armado do Supremo, quem perde não é Flávio nem Bolsonaro: é o eleitor brasileiro, que vai descobrir que o seu voto vale exatamente o que o Supremo permitir.

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Sabe o que é acinte, Folha?

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Acinte é um jornal passar sete anos operando como órgão de propaganda do regime, aplaudindo censura e perseguição política, e ainda ter a cara de pau de chamar de “justa” a condenação de um ex-presidente num processo que jamais deveria ter existido.

Vocês estão entre os principais responsáveis pela destruição dos direitos fundamentais no Brasil e pela consolidação de um ESTADO DE EXCEÇÃO.

No domingo, o povo deu o recado. O candidato com sobrenome de “golpista” terminou o primeiro turno em primeiro lugar. A narrativa que a Folha e praticamente toda a “imprensa profissional” passaram anos empurrando não colou.

Não houve tentativa de golpe. O golpe foi consumado, e foi da esquerda: tiraram Lula da cadeia, descondenaram o sujeito e, em paralelo, criminalizaram a direita com censura e perseguição em massa, até devolvê-lo à Presidência.

Esse foi o golpe.

O que veio depois foi Bolsonaro questionar esse processo pelas vias LEGAIS. O PL foi ao TSE contestar o resultado e levou multa de R$ 22,9 milhões por isso. Em seguida, centenas de milhares de brasileiros foram às ruas e à porta dos quartéis, num protesto desesperado contra a entrega do país ao que há de pior na política nacional.

O 8 de janeiro virou o pretexto que o establishment precisava para consolidar o estado de exceção. Veio o show trial: defesa cerceada, garantias elementares atropeladas, e Bolsonaro julgado por um ministro que se apresentava como alvo do suposto plano, por um ex-ministro da Justiça de Lula e pelo ex-advogado pessoal do Descondenado. Os juízes eram, ao mesmo tempo, adversários e “vítimas” do golpe imaginário.

Tudo isso precisa ser ANULADO, e os responsáveis, punidos. E mesmo assim nada vai devolver os anos roubados das centenas de perseguidos. Nada vai devolver a vida do Clezão, que morreu nas masmorras do regime em novembro de 2023, com parecer da PGR pela soltura parado na mesa de Moraes, por conta do seu estado de saúde.

A Folha e a imprensa brasileira têm sangue e sofrimento nas mãos.

Isso, sim, é um acinte.


Há três anos, o mundo testemunhava uma das maiores barbáries na história recente, em Israel

Shiri Bibas e seus dois filhos, Ariel, de 4 anos, e Kfir, de apenas 9 meses, foram assassinados no cativeiro do Hamas.

O pai, Yarden Bibas, separado da família no sequestro, foi libertado em fevereiro de 2025, como parte do acordo de cessar-fogo, apenas para descobrir que a mulher e os filhos haviam sido exterminados. Na devolução dos corpos, o Hamas ainda entregou o cadáver de uma desconhecida no lugar do de Shiri.

Naquele 7 de outubro, cerca de 1.200 pessoas foram assassinadas em Israel, muitas com requintes de crueldade. Houve estupros e tortura em massa. Mais de 250 pessoas foram sequestradas.

Corpos mutilados e reféns foram arrastados para Gaza, onde multidões comemoravam efusivamente nas ruas. Não era uma minoria: em dezembro de 2023, pesquisa do instituto palestino PCPSR mostrou que a maioria dos palestinos aprovava o ataque. Um povo cúmplice dos terroristas.

A resposta de Israel foi fulminante. Gaza, que antes da guerra tinha indicadores como expectativa de vida acima dos de vizinhos como o Egito, hoje está em ruínas. Quem escolheu a guerra foi o Hamas.

A prova cabal de que o Ocidente está profundamente doente, padecendo de esquerdopatia aguda, é que tantos ocidentais se colocaram ao lado dos terroristas.

O mais curioso é o apoio de grupos LGBT ao Hamas, que promove a sharia, a lei islâmica que, na leitura dos islamistas, pune a homossexualidade com a morte. Em 2016, o próprio Hamas executou um de seus comandantes, Mahmoud Ishtiwi, acusado de relações homossexuais.

Entre a barbárie e a civilização, fico sempre com a civilização.

Am Yisrael Chai.