Lula se perde no debate da Band e declara: “O Brasil acabou”
Ao defender seu quarto mandato, o Descondenado se confundiu nas considerações finais e acabou interrompido pela mediadora
Lula se perdeu no debate da Band e, sem querer, disse a única verdade da noite: no quarto mandato dele, “o Brasil acabou”.
Foi nas considerações finais. O Descondenado tentava atacar as privatizações e defender seu projeto para o país quando soltou a frase:
“Nesse quarto mandato, a gente vai dizer: o Brasil acabou.”
Ele queria dizer outra coisa, claro. Pretendia prometer um país grande, desenvolvido. Mas se enrolou, tentou consertar, repetiu os habituais “sabe” e acabou interrompido pelo tempo.

Poucas cenas poderiam representar melhor a situação de um presidente que, aos 80 anos, demonstra dificuldades crescentes para concluir um raciocínio em rede nacional, e a pergunta que a militância de redação não tem coragem de fazer é inevitável: se Lula não consegue sequer organizar suas ideias durante um debate, quem está efetivamente governando o Brasil?
Do outro lado, Flávio teve uma de suas melhores performances. Não é um grande orador, mas se mostrou calmo, respondeu aos ataques e evitou cair nas provocações. Quando Lula o chamou de “malandro carioca”, o senador devolveu a crítica, solidarizando-se com os moradores do Rio de Janeiro. A expressão rapidamente se transformou em assunto nas redes.
A Esbanja também deu seu espetáculo

Apesar das regras da Band proibirem manifestações da plateia, Janja provocou Flávio durante suas falas e chegou a receber uma advertência da equipe.
A mediadora precisou interromper as considerações finais do candidato para pedir que respeitassem as regras, mas a questão sobre quem exerce influência no governo ficou ainda mais incômoda depois de uma entrevista concedida à CNN, no sábado, por Roberta Luchsinger, investigada no escândalo dos descontos ilegais do INSS.
Roberta relatou a presença frequente de Lulinha em reuniões com ministros e afirmou que integrantes do governo recorriam a ela e ao filho do presidente para conseguir acesso ao então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola. O ex-assessor admitiu ter recebido R$ 249 mil de Roberta, valor que classificou como empréstimo. A Polícia Federal investiga as relações entre esses personagens e o esquema atribuído ao Careca do INSS.
As declarações de Roberta precisam ser comprovadas. Mas revelam um problema que merece investigação: a existência de possíveis canais informais de influência no entorno da Presidência.
E ainda houve uma acusação explosiva
Roberta afirmou que pretende fazer delação premiada, sem poupar Lula ou Lulinha. No debate, questionado por Flávio sobre conhecê-la, o Descondenado respondeu que o caso era assunto da Polícia Federal.
A pergunta é por que o filho do presidente, também citado nas investigações, ainda não havia prestado depoimento, segundo as informações publicadas.
Tudo isso aconteceu enquanto o governo intensificava sua ofensiva eleitoral. Perdão de dívidas para microempreendedores, novas promessas de benefícios e a aprovação do fim da escala 6x1. Uma coleção de medidas de enorme apelo político, cujos custos econômicos serão cobrados dos brasileiros.
Apesar disso, Flávio continua em vantagem. Venceu o primeiro turno com mais de 2,2 milhões de votos de diferença, e o último Datafolha apontava 51% a 49% nos votos válidos. O debate, na minha avaliação, não produziu um nocaute, mas confirmou as dificuldades do Descondenado nesta reta final.
Ninguém deve se iludir
A última semana promete, e o grupo que ocupa o Planalto não demonstra disposição de abrir mão do poder.
Lula queria terminar o debate prometendo um Brasil desenvolvido em seu quarto mandato. Acabou dizendo que “o Brasil acabou”.
Um tropeço verbal, certamente, mas difícil encontrar um retrato mais apropriado do risco que representa a continuidade desse projeto de poder.
Veja mais comentários sobre o assunto:
E se Lula realmente acabar com o Brasil?
A frase do presidente no debate pode ter sido um tropeço verbal mas, quando olhamos para a economia, o risco deixa de parecer uma simples ironia.
A aprovação do fim da escala 6x1, as novas promessas de benefícios e o avanço dos gastos públicos mostram a direção escolhida pelo PT. E quem pagará essa conta? O trabalhador, o consumidor e quem tenta proteger seu patrimônio da inflação, dos impostos e da instabilidade.
É justamente por isso que precisamos olhar para além do resultado das urnas.
- O que acontecerá com seu dinheiro se Lula conseguir mais quatro anos?
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