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Coluna Política

Lula precisa de quem não vota

Boletim Coppolla – Eleições 2026 | Edição #55 | 22 de outubro, quinta-feira.

Por Caio Coppolla

23/10/2026 - 11:34

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Faltam 03 dias pro 2º turno




"Se o Lula não conseguir nem levar mais eleitores para a urna, a distância, quando a gente calcular o likely voter no sábado, vai ser maior para o Flávio.
"


Felipe Nunes, diretor da Quaest, explicando de onde vem o empate técnico na pesquisa que o próprio instituto divulgou nesta quarta.

Quarta foi o dia em que um relógio virou piada, 83 milhões continuaram sob sigilo, e um instituto de pesquisa explicou por que o número dele não quer dizer o que parece.


Vamos lá:


 



1. O relógio do Lula virou piada no Nordeste




Um vídeo gravado em comício começou a circular na terça à noite sugerindo que o presidente teria tido o relógio de luxo e a aliança furtados, na divisa entre Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco.


O furto não foi confirmado, e checagens apontam que as imagens que viralizaram foram gravadas em São Luís, no dia 19.


Mas a piada pegou. Perfis de oposição espalharam o ditado "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão" e resgataram falas antigas de Lula sobre pequenos delitos, incluindo o discurso em que ele defendeu o sujeito que furtou porque queria comprar uma cervejinha.


O que o episódio mostra não é um crime. É o quanto o relógio virou símbolo. O valor do acessório já tinha sido cobrado no debate da Band, em contraste com a imagem de defensor dos trabalhadores.


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2. Flávio devolveu o desafio do sigilo




Nesta quarta, em evento em São Paulo, Flávio Bolsonaro disse que aceita o desafio de Lula e abre os próprios sigilos. Mas impôs condições.


A primeira é o telefone de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência: "Então eu abro meu sigilo de telefone, sim, mas o Marcola tem que abrir o dele, concorda?" Marcola é investigado num dos inquéritos sobre tráfico de influência envolvendo Lulinha, e a PF identificou 249 mil reais repassados a ele pela lobista Roberta Luchsinger. Ele diz que foi empréstimo pessoal já quitado.


Depois vieram as outras: as contas do Instituto Lula, os gastos com os cartões corporativos da Presidência e os registros de visitas ao Palácio da Alvorada.


Sobre o próprio patrimônio, disse que está todo declarado à Justiça Eleitoral e à Receita: "Minha vida é um livro aberto."


A proposta de Lula, protocolada na terça, cobre os últimos oito anos e alcança ele, Janja e os cinco filhos. A campanha respondeu nesta quarta que não se opõe às exigências: "Amanhã às 11h estaremos no TSE."


Vale registrar o que nenhum dos dois lados diz em voz alta: autorização não é quebra. Nenhum dado foi aberto, e nada está disponível para consulta.


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3. O governo mantém 83 milhões sob sigilo




Flávio pediu o cartão corporativo. Vale ver o que tem lá dentro.


Enquanto cobra transparência do adversário, o governo Lula mantém sob sigilo 83,37 milhões de reais em despesas do cartão corporativo da Presidência.


Entre 2023 e agosto de 2026, os gastos somaram 84,54 milhões. Desse total, 98,6% estão classificados como sigilosos. Dá para ver o mês, o valor e a unidade que gastou. Não dá para ver a data exata, quem portava o cartão, nem quem recebeu o dinheiro.


Por ano: 24,06 milhões em 2023, 26,32 milhões em 2024, 22,73 milhões em 2025 e 10,25 milhões só até agosto deste ano.


E tem o outro número. Desde 2023, o Executivo federal registrou 22.474 pedidos de acesso à informação negados, mais de cinco mil por ano, todos os anos.


Dois exemplos do que foi negado: os gastos com hospedagem de Janja e de artistas em embaixadas brasileiras no exterior, e os registros de entrada e saída nos Palácios do Planalto e da Alvorada desde janeiro de 2023, incluindo pedidos específicos sobre Lulinha, Luís Cláudio e o procurador-geral Paulo Gonet.


Em 2022, a promessa era derrubar os sigilos de cem anos.


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