Ministro bloqueia mais de 300 milhões de reais do Sindicato do irmão de Lula
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de R$ 389,5 milhões do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), entidade vinculada à Força Sindical e que tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula da Silva.
A decisão foi tomada no contexto de uma investigação que apura descontos indevidos em benefícios do INSS. Segundo os autos, aposentados e pensionistas teriam tido valores retidos sem autorização, sob a justificativa de “contribuição associativa”. Entre 2021 e 2025, as movimentações totalizaram quase R$ 400 milhões, conforme levantamento apresentado à Corte.
De acordo com a investigação, o esquema teria operado por meio de convênios e contratos de cooperação técnica firmados com o próprio INSS, o que permitia o desconto direto em folha. A suspeita é de que parte desses descontos tenha ocorrido sem consentimento dos beneficiários, o que levou à decisão de bloqueio.
O Sindnapi nega qualquer irregularidade e afirma manter “transparência administrativa e contabilidade verificável”, sustentando que a decisão afeta suas atividades de atendimento a idosos e pensionistas. Frei Chico, embora ocupe cargo na entidade, não é investigado no processo.
O caso causa indignação porque atinge diretamente milhares de aposentados, cidadãos que dependem do benefício para sobreviver. A presença de um parente direto do presidente da República na estrutura de comando da instituição levanta questionamentos sobre a influência política e o histórico de relações entre sindicatos e o poder público.
A investigação revela a falta de transparência no sistema sindical brasileiro, marcado há décadas por denúncias de má gestão e uso político de recursos. A decisão do STF, expõe a necessidade de revisão dos mecanismos de desconto automático no INSS - um modelo perigoso que, segundo especialistas, abriu caminho para práticas abusivas e perda de controle sobre o dinheiro dos aposentados.
Enquanto o governo tenta abafar o escândalo para se blindar até 2026, cada nova revelação deixa mais evidente que o dinheiro dos mais vulneráveis financiou, por anos, uma engrenagem de poder e silêncio.



