Amazonas

Festival de Cirandas de Manacapuru - AM

Tradicional une preservação, resistência e representatividade na arena

_Atual campeã, a agremiação fechou as noites de apresentações com o tema “Terricídio: Quando a Terra Enfrenta o Genocídio”_

Por Redação AgNORTE

31/08/2026 - 14:43

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Encerrando o 28º Festival de Cirandas de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus), a Ciranda Tradicional ocupou o Parque do Ingá, no domingo (30/08), com o espetáculo “Terricídio: Quando a Terra Enfrenta o Genocídio”. Atual campeã, a agremiação fechou as noites de apresentações levando para a arena uma narrativa centrada na defesa da Amazônia, na resistência dos povos tradicionais e na necessidade de preservação da floresta.

Ao longo do espetáculo, a Tradicional percorreu uma trajetória que partiu de uma terra marcada pela destruição, passou pela resistência e terminou com uma mensagem de esperança e mudança.

Além da pauta ambiental, a apresentação incorporou representatividade e questões sociais à construção cênica. A ciranda levantou bandeiras contra a intolerância religiosa e a homofobia, associando a defesa do território à valorização dos povos indígenas, das religiões de matriz africana e da diversidade.

Para o presidente da agremiação, Magal Pinheiro, chegar à última noite do festival representou a conclusão de meses de preparação e do trabalho de diferentes profissionais envolvidos na construção do espetáculo.


“É um dia tão esperado. Isso representa sonhos que a gente sonha todos os anos. Cada ano é diferente. Representa emoção, amor e, principalmente, trabalho, porque são muitas mãos que fazem a ciranda”, afirmou o presidente.

Segundo ele, a Tradicional entrou na arena também com a responsabilidade de defender o título conquistado na edição anterior. “Fechar o Festival de Cirandas é uma responsabilidade muito grande. A gente tenta fazer o melhor e agora fica a expectativa de buscar o bicampeonato”, acrescentou Magal.


*Espetáculo na arena e nas arquibancadas*

O espetáculo começou com a representação do confronto entre colonizadores e povos indígenas. O cordão de entrada foi dividido em dois momentos, combinando dança e interpretação teatral para apresentar o início dos conflitos que atravessaram a narrativa.
O ápice da sequência ocorreu com a entrada de uma alegoria que representou a batalha entre os dois povos. O elemento alegórico passou a integrar a movimentação dos brincantes, unificando cenografia, interpretação e coreografia na arena.


A partir desse primeiro confronto, a Tradicional desenvolveu os diferentes momentos de “Terricídio”. A proposta abordou problemas históricos e contemporâneos da Amazônia, passando pela exploração da floresta, poluição, desmatamento e mudanças climáticas, até chegar à reação daqueles que lutam pela preservação do território.

Nas arquibancadas, a torcida da Tradicional também participou da construção visual da noite. Bandeiras e elementos cenográficos foram utilizados em momentos programados da apresentação, fazendo com que a movimentação ultrapassasse os limites da arena e chegasse às arquibancadas.



A Torcida Organizada da Tradicional (TOT) acompanhou as coreografias e músicas e integrou ações planejadas para determinados momentos do espetáculo, enquanto os brincantes desenvolviam a narrativa no centro do Parque do Ingá.

A noite também marcou reencontros com a história da agremiação. Responsável pela coreografia do cordão de entrada, Felipe Pipow retornou à Tradicional, após 17 anos, e encontrou uma nova geração de brincantes.

“É um momento nostálgico. Voltar depois de 17 anos é algo muito especial. É uma geração nova que está aqui, não é aquela geração de antigamente, e eu acho isso maravilhoso. É importante porque continuo até hoje defendendo essa cultura e esse folclore na Ciranda Tradicional”, destacou.


A renovação também aparece nas histórias de quem chegou a Manacapuru a partir do contato com a ciranda em outros municípios. Natural de Tefé, Ronei Santos integra há três anos o cordão de cirandeiros da Tradicional. O primeiro contato dele com a manifestação cultural foi ainda no município de origem, antes de se mudar para Manaus e posteriormente chegar à agremiação.

Para Ronei, a apresentação também funciona como instrumento para abordar questões contemporâneas por meio da arte. “O nosso tema é o terricídio, que é a morte da Terra, algo que está acontecendo. Temos as mudanças climáticas, o desmatamento e precisamos ficar atentos ao que está acontecendo. E a gente mostra isso através da dança”, afirmou.

*Apuração*

Com a apresentação da Tradicional, o 28º Festival de Cirandas de Manacapuru encerrou as apresentações de 2026. A programação começou na sexta-feira (28/08), com a Flor Matizada, seguida pela Guerreiros Mura, no sábado (29/08), e pela Tradicional, no domingo.

A leitura das notas está marcada para esta segunda-feira (31/08), às 15h, no Parque do Ingá. Neste ano, Guerreiros Mura e Tradicional concorrem ao título do festival.

A Ciranda Flor Matizada não concorre à premiação em razão da morte do artista Jone Salgado, integrante da equipe de montagem das alegorias. A agremiação receberá a certificação Hors-Concours, uma premiação simbólica.

O 28º Festival de Cirandas de Manacapuru tem como objetivo valorizar a cultura popular, os artistas e os profissionais envolvidos na realização de uma das principais manifestações culturais do município, que integra o calendário cultural do Amazonas.

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Direto da Assessoria do evento