Amazônia

Greenpeace Brasil

Mais de 500 balsas de garimpo no Rio Madeira

Entidade denuncia a expansão da atividade ilegal. Após sobrevoo e uso de tecnologias de monitoramento, a organização revela o aumento alarmante do garimpo, colocando em risco ecossistemas e comunidades locais

Por Agência Galo

27/07/2025 - 12:17

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Balsas flagradas pelo Greenpeace Brasil no Rio Madeira - Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace Brasil

O Greenpeace Brasil flagrou 542 balsas de garimpo operando intensamente ao longo do leito do Rio Madeira, distribuídas em 22 pontos entre Calama (RO) e Novo Apuranã (AM) - as imagens foram registradas em sobrevoo realizado em 19 de julho.

As balsas, que dragam o fundo do rio em busca de ouro, estão posicionadas próximas a áreas protegidas como a Reserva Extrativista Lago do Cuniã e a Terra Indígena Lago Jauari.

Confira mais imagens do sobrevoo do Greenpeace Brasil no link. 

A situação do garimpo no Rio Madeira revela um crescimento alarmante da atividade mineradora. Entre janeiro e fevereiro de 2025, o Greenpeace registrou 130 balsas. Até a segunda quinzena de junho, no entanto, o número subiu para 285 balsas.

No período de 15 a 18 de julho, o número chegou a 542 balsas, localizadas em áreas vitais para a estabilidade ecológica da região. Esse aumento de 316,92% em apenas cinco meses é um claro reflexo da intensificação do garimpo ilegal na região.

O flagrante faz parte de um monitoramento intensivo desenvolvido pelo Greenpeace Brasil, utilizando uma atualização do sistema de inteligência Papa Alpha.

A plataforma, alimentada por imagens de radar do satélite Sentinel-1 da Agência Espacial Europeia, tem sido fundamental para identificar a presença de estruturas metálicas no leito do rio, mesmo em áreas cobertas por nuvens, e gerar alertas quase em tempo real sobre atividades suspeitas de garimpo.

O Greenpeace planeja expandir seu sistema de monitoramento para outros rios da Amazônia, como o Rio Tapajós e o Rio Teles Pires, ambos severamente afetados pela atividade garimpeira.

O porta-voz da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, Grégor Daflon, destaca a importância da inovação tecnológica na luta contra o garimpo:

"Cada balsa ilegal significa mercúrio nos rios, florestas destruídas e vidas ameaçadas. Estamos falando de uma atividade criminosa que não apenas devasta o meio ambiente, mas também deteriora a qualidade da água e contamina os peixes da região, impactando diretamente as comunidades que dependem desses recursos”.

"Com o uso dessa nova tecnologia, sabemos onde estão as balsas, quando chegam e como se movem. Isso é um passo decisivo para responsabilizar os culpados e pressionar as autoridades a tomar uma atitude à altura da destruição em curso", completa Daflon. 

A organização também está engajada em pressionar os órgãos responsáveis, como o Ministério Público, o Ibama e a Polícia Federal, para que adotem uma postura mais enérgica frente ao garimpo. As informações coletadas estão sendo encaminhadas para essas entidades, com o objetivo de acelerar a ação governamental. 

Sobre o Greenpeace Brasil

O Greenpeace Brasil é uma organização ativista ambiental sem fins lucrativos, que atua desde 1992 na defesa do meio ambiente. Ao lado de todas as pessoas que buscam um mundo mais verde, justo e pacífico, a organização atua há mais de 30 anos pela defesa do meio ambiente denunciando e confrontando governos, empresas e projetos que incentivam a destruição das florestas.

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