Área destruída pelo garimpo em Unidades de Conservação na Amazônia em 2026 equivale a mais de 32 mil campos de futebol
Levantamento do Greenpeace Brasil mostra que o garimpo segue vivo nas Unidades de Conservação da Amazônia; A situação preocupa principalmente no Parque Estadual Igarapés do Juruena, onde o garimpo cresceu 143,1% em oito meses.
Um monitoramento realizado pelo Greenpeace Brasil mostra que a área destruída pelo garimpo nas 18 Unidades de Conservação (UCs) da Amazônia com maiores registros de atividade garimpeira é de 22.998,7 hectares até agosto de 2026, o equivalente a mais de 32 mil campos de futebol. Em dezembro de 2025, esta área era de 19.723,5 hectares, indicando um avanço de 16,61% do garimpo em UCs do bioma em apenas oito meses - a atividade ilegal, portanto, segue em curso nas Unidades de Conservação da Amazônia.
Além do monitoramento remoto, em um sobrevoo realizado em julho no norte do Mato Grosso, o Greenpeace Brasil flagrou atividade garimpeira no interior de duas importantes UCs da região: Parque Nacional do Juruena e Parque Estadual Igarapés do Juruena. As Unidades foram criadas, principalmente, para proteger as bacias hidrográficas do rio Teles Pires e do rio Juruena, que juntos acabam por formar um dos maiores rios da Amazônia, o Tapajós.
“No contexto das Unidades de Conservação, as ações de de Comando e Controle, promovidas pelo Poder Público, apesar de importantes, seguem se mostrando insuficientes para conter o avanço do garimpo e precisam se articular como medidas concretas de reorientação da economia regional, capazes de promover arranjos produtivos capazes de conviver com a floresta”, explica o porta-voz da frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, Danicley de Aguiar.
A situação preocupa principalmente no Parque Estadual Igarapés do Juruena, onde o garimpo cresceu 143,1% no período analisado. Das 18 UCs monitoradas pelo Greenpeace Brasil, 7 são de proteção integral e 11 são de uso sustentável. Juntas, somam aproximadamente 17,9 milhões de hectares monitorados. Veja o monitoramento dessas UCs aqui.

fotos e vídeos: https://media.greenpeace.org/collection/27MZIFJHF18ZN
Unidades de Conservação monitoradas pelo Greenpeace na Amazônia. Em vermelho está a localização dos garimpos.
Fonte: Elaborado pelo Departamento de Pesquisa do Greenpeace Brasil.
Flagrantes
Durante o sobrevoo, foram identificadas 09 escavadeiras hidráulicas operando no interior dessas áreas protegidas: 5 na região sul do Parque Nacional do Juruena e 4 na região sul do Parque Estadual Igarapés do Juruena.
- Parque Nacional do Juruena, UC de Proteção Integral localizada entre os estados do Mato Grosso (MT) e Amazonas (AM). É o quarto maior parque nacional do Brasil.
De janeiro a agosto de 2026, a área destruída pelo garimpo no Parna do Juruena foi de 133,5 hectares, um crescimento de 31% em relação aos 428,7 hectares destruídos até dezembro de 2025.

Comparativo temporal de área ocupada pelo garimpo dentro do Parque Nacional do Juruena. Fonte: Planet Labs / Elaborado pelo Departamento de Pesquisa do Greenpeace Brasil. [+]
- Parque Estadual Igarapés do Juruena - UC de Proteção Integral localizada no estado do Mato Grosso (MT).
De janeiro a junho de 2026, a área destruída pelo garimpo no Parque Estadual Igarapés do Juruena foi de 79 hectares, um crescimento de 143,1% em relação aos 55,2 destruídos até dezembro de 2025.

Comparativo temporal de área ocupada pelo garimpo dentro do Parque Estadual Igarapés do Juruena. Fonte: Planet Labs / Elaborado pelo Departamento de Pesquisa do Greenpeace Brasil
Além do fortalecimento das ações de fiscalização e da reorientação da economia regional, é urgente que outras iniciativas sejam associadas à estas, tais como:
- a) identificação e o imediato cancelamento das Permissões de Lavra Garimpeira Fantasmas que seguem sendo utilizadas para lavar o ouro roubado dessas Unidades de Conservação;
- b) aprovação, pelo Congresso Nacional, do Projeto de Lei nº 3.025 de 2023 que garante maior controle e transparência sobre a origem e a comercialização do ouro, e estruture um mecanismo de rastreabilidade baseado nos resultados de pesquisa mineral prévia como ponto de partida;
- c) medidas que garantam acesso à informação e maior controle dos equipamentos pesados que são fundamentais para a logística do garimpo, como escavadeiras hidráulicas, retroescavadeiras e demais maquinários.
Metodologia da análise:
O garimpo na região do Parque Nacional do Juruena e do Parque Estadual Igarapé do Juruena foi identificado a partir da análise do Papa Alpha Mineração, uma ferramenta desenvolvida pelo Greenpeace Brasil.
O monitoramento das atividades de garimpo nas Unidades de Conservação é feito por meio da interpretação de mosaicos mensais de imagens de satélite da Planet Labs, com resolução aproximada de 4,77 metros. A comparação entre as imagens permite identificar novas áreas de exploração e acompanhar, ao longo do tempo, a expansão do garimpo dentro das áreas protegidas.
Fotos e vídeos para uso da imprensa
As imagens do sobrevoo realizado pelo Greenpeace Brasil com o flagrante de garimpos nas UCs citadas podem ser baixadas neste link e reproduzidas mediante créditos.
Sobre o Greenpeace Brasil
O Greenpeace Brasil é uma organização ativista ambiental sem fins lucrativos, que atua desde 1992 na defesa do meio ambiente. Ao lado de todas as pessoas que buscam um mundo mais verde, justo e pacífico, a organização atua há mais de 30 anos na defesa do meio ambiente, denunciando e confrontando governos, empresas e projetos que incentivam a destruição das florestas.
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