Inadimplência das empresas bate recorde e atinge 9,1 milhões de negócios
Total de CNPJs com contas em atraso cresce impulsionado por micro e pequenos negócios, que concentram R$ 232,9 bilhões em dívidas
A inadimplência das empresas no Brasil atingiu a marca histórica de 9,1 milhões de pessoas jurídicas com contas em atraso no mês de junho, segundo dados apurados pela Serasa Experian. O resultado representa uma elevação contínua no volume de empresas no vermelho em comparação com os 8,7 milhões registrados em janeiro e os 7,8 milhões computados em junho do ano anterior.
Micro e pequenas empresas concentram maioria dos débitos
O levantamento da Serasa revela que o endividamento corporativo é impulsionado quase na totalidade pelas micro e pequenas empresas. Do montante global de CNPJs negativados no país, 8,6 milhões pertencem a negócios desse porte, que enfrentam maior vulnerabilidade financeira diante da oscilação da economia. O volume financeiro total das dívidas em atraso acumuladas pelas micro e pequenas empresas alcançou a cifra expressiva de R$ 232,9 bilhões em junho.
Com esse volume acumulado de compromissos pendentes, a dívida média por empresa no segmento chegou a R$ 25.508,96, valor que compromete investimentos, manutenção de estoques e contratações no setor produtivo.
Causas do aperto financeiro e análise do cenário
A escalada no número de empresas inadimplentes reflete o ambiente macroeconômico de taxa básica de juros elevada, que encarece as linhas de financiamento, o capital de giro e a rolagem de dívidas bancárias.
Segundo a análise de Juliana Rosa, a manutenção dos juros em patamares restritivos atinge diretamente a capacidade de pagamento das empresas de menor porte. A comentarista explica que esses empreendimentos possuem margens operacionais mais estreitas e dependem constantemente de crédito bancário de curto prazo para honrar compromissos imediatos, como fornecedores e folha de pagamentos.
Para Juliana Rosa, o cenário exige que os gestores priorizem a renegociação preventiva de dívidas e busquem instrumentos de crédito orientado com taxas compatíveis. A analista ressalta que programas governamentais de renegociação de dívidas empresariais ganham relevância estratégica para aliviar a pressão financeira e restabelecer a capacidade operacional desses negócios.



