Kimi Antonelli até o título da Fórmula 1, o que vem agora?
Piloto italiano conquistou o Mundial em sua segunda temporada na F1
A conquista do título mundial de Kimi Antonelli em 2026 foi o resultado de um processo que começou muito antes de sua chegada à Fórmula 1. Integrante do programa de jovens pilotos da Mercedes desde antes da adolescência, o italiano passou por diferentes etapas de desenvolvimento até alcançar o topo da categoria. Em evento de abertura da Nubank House, Bradley Lord, dirigente da equipe alemã, relembrou os bastidores e dificuldades dessa trajetória.
Segundo Lord, o primeiro contato de Toto Wolff com Antonelli aconteceu em 2017, por indicação de Gwen Lagrue, responsável por estruturar o programa de jovens talentos da Mercedes durante anos. O dirigente recordou um encontro com o italiano em Mônaco, no ano seguinte, quando ainda era possível perceber o quanto ele era jovem, mas já chamava atenção pelo potencial.
— Lembro de encontrá-lo lá e pensar: se esse garoto conseguir desenvolver todo o seu potencial, poderemos ver algo muito especial — contou Lord.
Na avaliação da Mercedes, a velocidade era apenas um dos fatores observados durante a formação do piloto. A equipe também acompanhava o ambiente familiar, a capacidade de lidar com a pressão e a maneira como Antonelli reagia às situações adversas – características que se tornaram importantes ao longo da carreira.
Um dos momentos mais "delicados" veio na Fórmula 2. Depois de temporadas em que se acostumou a vencer com frequência, o italiano enfrentou um campeonato difícil, com resultados abaixo do esperado e uma equipe que não conseguia apresentar o desempenho necessário. Para Lord, aquele período foi importante justamente por obrigar o jovem a entender que não seria possível ganhar todos os fins de semana.
— Foi um momento muito importante para ele lidar com a adversidade de não poder vencer em todas as corridas — explicou.
Vale destacar, inclusive, que durante esse período teve que lidar diretamente com Oliver Bearman, com quem dividia a garagem. Enquanto os companheiros mantinham um certo equilíbrio de desempenho entre os dois, Gabriel Bortoleto e Isack Hadjar se destacavam e muito na pista. Naquele ano, inclusive, o brasileiro foi campeão da F2.
Bola para frente e muito foco
A capacidade de absorver informações e aprender com cada experiência foi mais dois fatores que chamaram a atenção da Mercedes. Lord revelou ainda que Toto Wolff chegou a comparar o jovem com uma "inteligência artificial". A brincadeira era destacar o comportamento do piloto de estar constantemente processando novos dados.
Na temporada que terminou com o título, essa evolução ficou evidente. Depois de uma temporada de estreia difícil, em que não parecia acompanhar o ritmo de George Russell, o italiano conseguiu não somente alcançar o companheiro, como superá-lo. Em 2026, então, manteve a regularidade necessária para brigar pelo campeonato.
Lord citou ainda episódios como a etapa em Silverstone, quando Antonelli teve uma falha no carro justamente em um momento no qual poderia conquistar um resultado importante. Apesar da frustração, o piloto conseguiu mudar o foco rapidamente e pensar na etapa seguinte. Esse comportamento é exatamente o que, na visão do dirigente, ajuda a diferenciar um bom competidor de um candidato ao título.
— É assim que você vê como um piloto lida com os momentos difíceis, e não apenas com os sucessos. Isso mostra se ele tem a mentalidade e a resiliência necessárias para conquistar um campeonato mundial — afirmou.
Com a conquista, Antonelli se tornou o primeiro piloto formado pelo programa de jovens talentos da Mercedes a alcançar o título mundial da Fórmula 1. Por isso, é claro, ver Kimi chegar ao topo depois de tantos anos de acompanhamento tornou a comemoração especialmente emocionante para Bradley Lord e todas as pessoas que participaram de sua formação.




