A Corrupção voltou. Por isso Lula coltou a atacar a 'Lava Jato'
Uma análise de um artigo contundente do promotor da Lva Jato, que foi deputado, e após perseguição de Lula e seus asseclas, o STF, foi cassado
| Na noite da sabatina do Jornal Nacional, Lula me chamou de mentiroso diante de milhões de brasileiros.
Disse que foi para a cadeia para provar que Sergio Moro e eu mentimos e
voltou a atacar a denúncia do tríplex do Guarujá. O momento revela sua
estratégia: enquanto
era questionado sobre as investigações envolvendo Lulinha, a lobista do
Careca do INSS Roberta Luchsinger e seu ex-chefe de gabinete, o
Marcola, o presidente tentou transformar os investigadores em réus.
Quando o presente ficou difícil de explicar, Lula puxou a discussão
para o passado. A corrupção voltou ao centro da eleição de 2026, e ele
respondeu desacreditando quem investigou para deslocar o debate das
provas que ele não consegue explicar. A contradição ficou visível naquela mesma noite. Lula afirmou que nunca havia visto Roberta e garantiu que não apareceria foto alguma dos dois. A Folha localizou pelo menos três registros feitos em 2022 e 2023. Em um deles, Lula aparece entre a lobista e Daniela Teixeira, hoje ministra do Superior Tribunal de Justiça. A própria campanha petista avaliou que o presidente havia cometido uma “derrapada grande” e precisaria se explicar. As imagens não solucionam o inquérito, mas desmentem a negativa categórica pronunciada por Lula em rede nacional. ![]() Roberta não surgiu nessa história como uma admiradora anônima que conseguiu uma selfie. Ela aparece em inquérito da Polícia Federal que apura tentativas de viabilizar negócios no governo por meio de sua proximidade com Lulinha e com o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente. Entre os projetos discutidos estava a venda de produtos à base de canabidiol ao poder público. O padrão merece atenção porque reúne acesso político, interesses privados e personagens ligados à família presidencial. É esse ambiente que Lula evita esclarecer quando transforma uma pergunta sobre os acontecimentos atuais em outro ataque à Lava Jato. Os fatos do passado, porém, continuam documentados. Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex. A condenação foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e mantida por unanimidade no Superior Tribunal de Justiça. Também houve condenação no caso do sítio de Atibaia, confirmada em segunda instância. Em 2021, o Supremo anulou as ações por considerar que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgá-las. As condenações perderam seus efeitos jurídicos, mas não houve absolvição de mérito. Chamar tudo de mentira não altera essa distinção. ![]() Reduzir a Lava Jato a Moro e Deltan esconde a dimensão institucional da operação. Procuradores, policiais federais, auditores da Receita e magistrados trabalharam sobre documentos, planilhas, rastreamento financeiro, confissões e acordos assinados por executivos e empresas. No total, mais de R$ 25 bilhões do dinheiro desviado pela corrupção voltou para a sociedade de forma concreta. No Paraná, um acordo que incorporou R$ 715 milhões do compromisso de leniência da antiga RodoNorte superou R$ 1 bilhão e direcionou recursos para obras em trechos como a PR-151 entre Ponta Grossa e Palmeira e em eixos até Guarapuava. Para o cidadão que dirige nessas estradas, o combate à corrupção se materializa em obras, segurança e dinheiro de volta no bolso do paranaense. O escândalo dos descontos indevidos do INSS mostra por que essa memória importa. Até junho de 2026, mais de R$ 3,2 bilhões já haviam sido ressarcidos a 4,7 milhões de aposentados e pensionistas. A escala revela a forma mais abjeta de um esquema industrial: pequenas retiradas feitas repetidamente sobre a renda de milhões de pessoas vulneráveis, formando um negócio bilionário. O aposentado enxerga alguns reais a menos no benefício. Os operadores enxergam uma máquina de arrecadação. Esquemas assim encontram espaço quando os instrumentos de investigação e responsabilização perdem força. O ataque de Lula à Lava Jato tem uma função política muito atual. Se ele convencer o país de que os investigadores eram mentirosos, deixa de responder aos documentos, às provas, às decisões judiciais, aos acordos e ao dinheiro recuperado. Foi para impedir o desmonte dessas ferramentas que deixei o Ministério Público Federal e entrei na política. Em 2026, o eleitor decidirá se aceita a reescrita dos fatos ou se volta a exigir consequências para quem tem poder. Lula pode me chamar de mentiroso quantas vezes quiser. As fotos, as decisões judiciais, os acordos e o dinheiro devolvido continuam falando. E isso não é uma discussão apenas sobre o passado. Porque enquanto corruptos se safarem da punição e os procuradores, juízes e policiais forem desmoralizados, perseguidos e punidos, os impostos que pagamos vão continuar a desaparecer pelo ralo dos escândalos. E, com os impostos, vão-se embora a creche, o hospital, o policiamento e o nosso futuro. Defender a Lava Jato, o seu legado, e as operações que investigam a corrupção é mais do que uma questão de justiça. É uma questão de desenvolvimento, qualidade de vida e prosperidade do nosso povo. |
![]() Deltan Dallagnol é um herói nacional no combate à corrupção, uma mazela que, nas eleições de 2026, voltou a figurar como preocupação capital do eleitorado brasileiro. Imaginar que a ‘volta do PT à cena do crime’ traria consequência diversa só se explica por meio de um delírio coletivo, sob a influência de uma imprensa enviesada, que ignorou seu próprio noticiário de anos e passou a tratar os ‘mocinhos como bandidos’. Por ocasião da Convenção nacional do PT – na qual Lula se referiu ao seu ex-ministro da Previdência, investigado na Farra do INSS, como “a representação mais nobre do trabalhismo” – eu afirmei que, no Brasil, ‘a corrupção não é apenas aceita, ela é celebrada’. Fui econômico no meu diagnóstico, e por isso complemento: a corrupção, à brasileira, é aceita, celebrada e vingativa. Não à toa, Lula dedica boa parte das suas manifestações públicas a atacar aqueles que, por combaterem a corrupção, cruzaram o caminho do projeto criminoso do PT de perpetuação no poder – uma trajetória que inclui suborno do Legislativo (Mensalão), abuso de poder econômico via doações ilegais de campanha (Petrolão) e, mais recentemente, descontos não autorizados em aposentadorias de milhões de idosos e vulneráveis (a Farra do INSS). Lula se refere à sua condenação como uma ‘farsa’, perpetrada por ‘monstros’, na qual ele foi inocentado. Mas Lula é um mentiroso contumaz e qualquer coisa que saia da sua boca deve ser interpretada à luz dessa realidade. Até porque, numa eleição, a primeira vítima é a verdade – buscá-la e protegê-la é tarefa de quem não quer ver o país sucumbir à narrativa, à propaganda e à desinformação. Por Caio Coppolla Editor-chefe do Boletim Coppolla |






