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COLUNA POLÍTICA

As quatro promessas da esquerda que a crise francesa colocou em xeque

A onda de violência atingiu cidades francesas e reacendeu antigas discussões sobre multiculturalismo, redistribuição e integração

Por Leandro Ruschel

21/10/2026 - 11:10

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Governo francês busca respostas após caos durante protestos em Paris
A prefeitura de Limoges, um edifício histórico do século XIX, foi consumida pelo fogo. Lojas foram saqueadas, carros incendiados e milhares de pessoas detidas durante a onda de distúrbios que atingiu a França.
Prédio que resistiu a duas guerras mundiais é incendiado durante protestos  na França; veja imagens - Estadão
Enquanto centenas de milhares protestavam pacificamente contra o custo de vida, grupos violentos transformaram parte das manifestações em cenas de barbárie.
O país que destina quase um terço de seu PIB à proteção social está em chamas. E, na minha avaliação, essa crise expõe quatro grandes mentiras vendidas pela esquerda globalista ao longo de décadas.
A primeira é que um Estado gigante produz desenvolvimento e igualdade
Na França, os gastos públicos equivalem a 57,2% do PIB. Mesmo assim, o desempenho educacional caiu, os problemas fiscais se acumulam e a burocracia continua sufocando a iniciativa individual. O dinheiro dos contribuintes não resolve, por si só, os problemas de uma sociedade.
A segunda é que o multiculturalismo necessariamente enriquece uma nação
Robert Putnam wants us to stop bowling alone — Harvard Gazette
O cientista político Robert Putnam demonstrou como a diversidade, quando não acompanhada da construção de uma identidade comum, pode reduzir a confiança entre as pessoas. Uma sociedade precisa de valores compartilhados. Ninguém se integra a uma civilização que tem vergonha de si mesma.
A terceira mentira é que a redistribuição compra a paz social
A França já enfrentou graves distúrbios em 2005, 2018 e 2023. Agora, em 2026, o cenário se repete. Benefícios sociais não substituem trabalho, pertencimento, responsabilidade individual e respeito às instituições.
A quarta é que a assimilação acontece automaticamente
Pode a religião servir para o progresso social? | Esquerda
Mesmo quando movimentos políticos e religiosos rejeitam as leis e os valores fundamentais do país que os recebe. O avanço do islamismo político e sua aproximação com setores da esquerda radical francesa revelam uma contradição profunda. Uma comissão parlamentar chegou a apontar sinais de complacência com indivíduos próximos a movimentos islamistas no entorno do partido de Mélenchon, conclusão contestada pela legenda.
Mas a raiz do problema é ainda mais profunda
A Europa deixou de ter filhos. Em 2025, a França registrou mais mortes do que nascimentos pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial. Com menos jovens, aumenta a pressão sobre as aposentadorias e a necessidade de trabalhadores estrangeiros. Sem integração adequada, os conflitos se agravam.
É esse o ciclo que preocupa: uma sociedade envelhecida, economicamente pressionada, fragmentada e cada vez mais dependente do Estado.
Na minha leitura, as imagens da França são um alerta sobre o que acontece quando uma civilização perde a confiança nos valores que a construíram.
E o preço dessa crise não é pago pelas elites que formularam as políticas. É pago pelo cidadão comum, que vê sua cidade destruída, sua segurança ameaçada e suas perspectivas de futuro cada vez menores.
Veja mais comentários sobre o assunto no minidocumentário que fizemos no YouTube:
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