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Ataque de Trump

EUA vão para cima do Irã, Oriente Médio em tensão

Esse ataque americano ao Irã ameaça alianças no Oriente Médio, avalia professor. O professor da ESPM Leonardo Trevisan acha que Trump "além do ponto" e pode provocar o fechamento do Estreito de Ormuz, afetando a economia global

Por Band.com.br

28/02/2026 - 09:41

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O ataque lançado por Estados Unidos e Israel contra o Irã marca, segundo o professor de Relações Internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan, um ponto de ruptura nas tentativas diplomáticas e inaugura uma fase de “atenção e tensão” no Oriente Médio, com impactos imprevisíveis — especialmente no mercado global de petróleo.

Em entrevista à BandNews TV, Trevisan afirmou que o bombardeio ocorreu às vésperas da quarta rodada de negociações entre americanos e iranianos que estava prevista para acontecer em Genebra. Segundo ele, apesar de declarações públicas indicando continuidade do diálogo, o presidente Donald Trump teria ficado “encurralado por suas próprias palavras” e pela pressão interna por uma resposta mais dura ao regime iraniano.

O que se iniciou foi um movimento que dificilmente poderia terminar em outra coisa que não fosse um movimento de guerra”, avaliou.

Ramadã e desconforto entre aliados árabes

O ataque ocorre durante o Ramadã, período sagrado para os muçulmanos, o que amplia o desgaste político. De acordo com o professor, aliados árabes dos Estados Unidos vinham, nos bastidores, pressionando Washington a evitar uma ofensiva neste momento.

Trevisan lembra que países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã mantinham esforços diplomáticos ativos junto à Casa Branca. “Havia uma pressão clara para que os Estados Unidos permanecessem na mesa de negociação”, afirmou.

A preocupação desses países não é apenas religiosa ou política, mas estratégica. Todos dependem da estabilidade regional para garantir o fluxo de petróleo — e muitos já começaram a ser atingidos por retaliações iranianas.

Retaliação iraniana e risco às bases americanas


Segundo o especialista, é improvável que o Irã deixe o ataque sem resposta. Embora não tenha capacidade militar para atingir diretamente o território americano, o país tem condições de atacar bases dos EUA no Oriente Médio e alvos estratégicos de seus aliados.

“É bastante provável que o Irã amplie os ataques contra parceiros regionais dos Estados Unidos. Isso inclui bases militares e infraestrutura sensível”, disse.

O professor ressalta que o poder real no Irã não está apenas no governo formal, mas, sobretudo na Guarda Revolucionária, estrutura militar que, segundo ele, exerce controle efetivo sobre as decisões estratégicas do regime do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

A sobrevivência do regime passa diretamente pela Guarda Revolucionária. É ela quem controla os principais instrumentos de poder e tem capacidade operacional imediata”, afirmou.

Estreito de Ormuz: a carta estratégica do Irã

Para Trevisan, o ponto mais sensível do conflito é o Estreito de Ormuz, por onde passa mais de 20% do petróleo consumido mundialmente.

O professor alerta que bastariam poucas minas submarinas ou ações militares localizadas para interromper o tráfego na região. “Essa é a carta na manga do Irã. O grande dano não é necessariamente militar, mas econômico”, destacou.

Caso o estreito seja fechado, o impacto seria imediato nos preços internacionais do petróleo, com reflexos diretos no custo da gasolina e na inflação global. “Amanhã, qual será o preço da gasolina? É disso que estamos falando”, afirmou.

Divisão religiosa e equilíbrio frágil
Trevisan também aponta a histórica divisão entre sunitas e xiitas como elemento estrutural do conflito. Enquanto a maioria dos países árabes aliados dos EUA é sunita, o Irã é a principal potência xiita da região. Apesar das divergências profundas, segundo o especialista, ambos os blocos buscavam preservar uma estabilidade mínima.


“Não se trata apenas de geopolítica. Trata-se de manter a economia funcionando. Todos dependem do fluxo de petróleo”, explicou.

Comparação com a Venezuela é “erro de análise”
Ao comentar declarações recorrentes de Trump citando o caso da Venezuela como exemplo de pressão bem-sucedida, Trevisan classificou a comparação como equivocada.


“O Irã não é a Venezuela. A estrutura de poder é diferente. No Irã, a Guarda Revolucionária exerce um controle muito mais consolidado”, afirmou.

Segundo ele, a ideia de que um ataque externo poderia provocar a queda imediata do regime dos aiatolás é improvável. Movimentos de protesto anteriores foram reprimidos com força, e o aparato de segurança mantém controle rigoroso sobre a sociedade.

Diplomacia enfraquecida


O especialista avalia que, ao optar pelo ataque, os Estados Unidos enfraqueceram a ala mais moderada do regime iraniano que defendia a negociação.

Havia uma ala disposta ao diálogo, mas o poder real não estava na mesa de negociações. Estava na estrutura militar”, afirmou.

Para Trevisan, o cenário agora é de alta imprevisibilidade. “Sabemos como começa, mas não sabemos como termina. O risco maior é que a escalada leve a uma reação em cadeia envolvendo aliados regionais e provoque impactos globais duradouros.


Enquanto os desdobramentos militares seguem incertos, o mercado internacional e governos ao redor do mundo monitoram o conflito com atenção redobrada — e crescente tensão.

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REDAÇÃO AgNonline

O interessante que nesta entrevista não é exposto a parte que o professor expõe o perigo, e os mecanismos sórdidos do Irã em não seguir determinações legais, internacionais, para que não dê continuidade ao processo de criação de ogivas nucleares.

Não se expõe também o que diretamente o Irá afirma que tem por objetivo erradicar do mundo Israel, ou seja, como esperar que o Irá cumpra o que não cumpre, tenta ludibriar, enganar, e empurrar o tempo por negociações que não serão seguidas só para ganhar tempo em concluir sua sana de ter uma arma nuclear.