Roraima

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‘Onde Há Rede, Há Renda’ encerra ciclo em Boa Vista

Prefeitura leva evento com celebração da economia criativa e premiação de empreendedores

Por Lucas Luckezie

20/10/2025 - 06:49

Encontrão das Redes do Onde Há Rede, Há Renda (1).jpg

Com música, feira artesanal e histórias inspiradoras, o projeto itinerante Onde Há Rede, Há Renda encerrou neste sábado (18) a passagem por Boa Vista com o Encontrão das Redes, no Estúdio Parixara. O evento marcou o fim de uma semana de oficinas que reuniram 150 empreendedores locais e premiaram iniciativas voltadas à economia criativa e ao impacto social.

A capital roraimense foi a primeira cidade a receber o projeto patrocinado pelo Nubank, realizado pelo Movimento Cidade Projetos Criativos, em co-produção com o Instituto Movimento Cidade e o Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, via Lei de Incentivo à Cultura. Ao longo de seis dias, o programa ofereceu oficinas gratuitas de Economia Criativa, Educação Financeira e Inclusão Digital e Marketing, com prêmios que somaram R$ 10,5 mil.

O encerramento reuniu empreendedores, artistas e coletivos no Estúdio Parixara, que se transformou em uma grande feira criativa. O público conheceu produtos de artesãos indígenas, empreendedores LGBTQIAP+, migrantes venezuelanos e jovens da periferia — grupos que formam o público-alvo do projeto.

A programação contou ainda com a apresentação cultural de dança indígena warao Jardim Floresta, o painel Redes que Transformam, a palestra Empreender e Mover Territórios, o bate-papo Empreender para Transformar, mostra audiovisual e o show da banda Bodó Valorizado.

Entre os premiados, a jovem Milena Makuxi, de 25 anos, foi destaque na oficina de Economia Criativa com o projeto Festival Esquina Livre, que propõe um circuito de música indígena e oficinas artísticas em escolas e territórios tradicionais.

“Esse projeto nasceu de um sonho e é uma conquista dos povos indígenas de Roraima. Agora vou poder dar o start para torná-lo realidade”, contou Milena, emocionada, ao receber o prêmio de R$ 3,5 mil.

Outro destaque foi o trio formado pelas venezuelanas Josneida Caramauta, Oneida Marquez e Cenny Rojas, também premiadas por soluções criativas de empreendedorismo comunitário.

Durante o encerramento, a diretora de programação Gabriela Duque destacou que Boa Vista superou as expectativas de participação.

“A meta era alcançar 150 inscrições e batemos quase 200. Saímos com o sentimento de dever cumprido, por termos fortalecido uma rede diversa de empreendedores indígenas, periféricos, negros e LGBTQIAP+”, afirmou.

“A semente que plantamos aqui é o conhecimento. Queremos que esse aprendizado se transforme em renda, inovação e autonomia”, completou.

Entre os participantes, histórias de superação e aprendizado reforçaram o impacto do projeto. O artesão indígena warao venezuelano Jesus Rafael Bería, de 60 anos, disse que a oficina de Economia Criativa o ajudou a organizar melhor o trabalho artesanal e a buscar novos meios de comercializar suas peças.

Já Sourrio Nascente, artista e empreendedor trans não-binário, destacou o papel transformador da oficina de Educação Financeira. “Aprendi a separar o pessoal do profissional e a me organizar para fazer meu negócio crescer. Foi uma virada de chave na minha trajetória”, contou.

O Onde Há Rede, Há Renda segue agora para Goiânia, Cuiabá e Guarujá, levando a proposta de formar, conectar e fortalecer redes de economia criativa pelo país.

Para Gabriela Duque, o sucesso em Boa Vista mostrou que o conhecimento pode ser o ponto de partida para transformar realidades.

“Cada oficina virou uma nova rede, com mais de 40 pessoas trocando experiências e construindo caminhos juntos. É assim que se gera renda: fortalecendo pessoas e comunidades”, concluiu.

Sobre o Onde Há Rede, Há Renda

O Onde Há Rede, Há Renda fortalece redes e coletivos brasileiros, oferecendo capacitação, incentivo financeiro e suporte para formalização e desenvolvimento financeiro. Do digital ao manual, das redes sociais às de pesca, das bordadeiras às rendeiras, o projeto valoriza iniciativas com propósitos socioculturais, tornando-as mais sustentáveis e preparadas para gerar renda e cuidar de suas comunidades.

Por meio de oficinas, consultorias e palestras, o programa promove formação prática, cria redes locais de colaboração e culmina no Encontrão das Redes, evento que conecta participantes e compartilha experiências. Com foco em mulheres, juventudes e comunidades criativas, a iniciativa fomenta o empreendedorismo periférico e potencializa o impacto cultural e econômico das redes brasileiras.

Sobre o Movimento Cidade Projetos Criativos

Criado em 2018 como um movimento de cultura urbana com foco na difusão e realização audiovisual sediado no Espírito Santo. Em 2020 foi fundada a produtora, que tem como propósito fazer da cidade, o território mais diverso, criativo, justo e bonito. Para isso, realiza programas, produtos e projetos culturais que já chegaram às cinco regiões brasileiras, totalizando 10 estados e Distrito Federal e 17 cidades, dentre elas a Cidade do México. Com o lema "Cidade são pessoas", o movimento também realiza o Festival Movimento Cidade, o maior festival de artes integradas do Espírito Santo.

Redes sociais

Instagram: @ondeharedeharenda / @mc.projetoscriativos

Site: movimentocidade.com

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Fotos: Lucas Luckezie/Onde Há Rede, Há Renda

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