Tô com Fome

Abrasel, ABBD e Abrabe

CASO DE BEBIDAS FALSIFICADAS entidades fazem treinamento para identificar as bebidas

Elas se juntam para aumentar a proteção ao consumidor contra bebidas adulteradas. Nessa primeira edição, mais de duas mil pessoas participaram

Por Abrasel

04/10/2025 - 08:06

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Abrasel, a Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD) e a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) estão realizando uma série de treinamentos online, gratuitos e com certificado, com orientações práticas para empreendedores serem hábeis a identificar bebidas falsificadas de produtos autênticos.

• Fique atento às próximas edições: clique para conferir as datas e participe!

Na primeira edição da capacitação, que foi ministrada por Daniel Monferrari, head de Proteção às Marcas e Segurança Corporativa da Diageo, participaram mais de duas mil pessoas.

Durante o treinamento, os participantes receberam orientações detalhadas sobre como identificar sinais de falsificação em garrafas, tampas, rótulos e líquidos. Segundo o especialista, a análise começa pela tampa, considerada o principal ponto de segurança dos produtos: tampas originais apresentam acabamento preciso, sem amassamentos ou espaçamentos, e com arte impressa de alta qualidade.

Já a presença de lacres plásticos sobrepostos a tampas decoradas é um forte indicativo de adulteração.

Outro ponto de atenção citado por Daniel é o selo fiscal, obrigatório em bebidas destiladas importadas. Produzido pela Casa da Moeda, o selo autêntico possui holografia progressiva que revela apenas uma letra por vez — R, F ou B. Se todas as letras forem visíveis simultaneamente, há a possibilidade do selo ser falsificado.

O treinamento também orientou sobre a análise do líquido: garrafas da mesma marca devem ter o mesmo nível de enchimento e líquidos translúcidos, sem impurezas. Diferenças de coloração entre unidades idênticas podem indicar falsificação.

O especialista ainda reiterou que os rótulos e contrarrótulos precisam ser cuidadosamente analisados. Produtos legítimos apresentam impressão de alta qualidade, com informações obrigatórias em português, como ingredientes, origem e número de registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Além disso, erros de grafia são considerados sinais claros de falsificação.

• Clique para acessar a nota oficial da Abrasel

Além dos aspectos técnicos, o treinamento alerta para os riscos legais e sociais do mercado ilegal. Estabelecimentos que compram de canais informais ou deixam de exercer cautela na aquisição de bebidas podem ser responsabilizados criminalmente.

O mercado ilegal não apenas coloca em risco a saúde pública, como também alimenta redes criminosas, fragiliza a concorrência leal e compromete a arrecadação tributária”, explica Daniel.

Outro ponto de destaque do treinamento é o descarte correto das garrafas vazias. Segundo Daniel, 100% das bebidas falsificadas identificadas em operações policiais foram envasadas em garrafas originais reutilizadas.

Por isso, recomenda-se que bares e restaurantes adotem políticas de descarte que incluam a destruição ou descaracterização dos rótulos, evitando que embalagens legítimas sejam reaproveitadas por falsificadores. Programas que fazem a destinação correta de garrafas, como os Eco Pontos e Eco Gestos, são alternativas seguras para o descarte responsável.

Treinamento é etapa importante da prevenção

Sobre a capacitação promovida entre as entidades do setor, Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, declarou: “assumimos a responsabilidade de orientar os estabelecimentos do setor sobre como agir em casos suspeitos, reforçando que a prevenção começa com informação correta".

"O objetivo do treinamento é orientar sobre os sinais de adulteração e protocolos de segurança, para que nenhum bar ou restaurante seja vítima de falsificadores e, principalmente, para proteger a saúde da população".

O presidente da Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), Eduardo Cidade, também destacou a importância da capacitação: "é essencial separar o setor produtivo formal — que cumpre padrões rígidos de qualidade, segurança e conformidade regulatória — da atuação criminosa do mercado ilegal".

"A expansão desse mercado no Brasil não apenas coloca em risco a saúde da população. Um produto ilegal é vendido, em média, 35% mais barato do que o original e a diferença podendo chegar a até 48%, resultado da alta carga tributária do setor e da impunidade, que estão entre os principais fatores que estimulam o comércio ilícito”.

• Confira também a cartilha desenvolvida pela Abrasel, ABBD e Abrabe e saiba como identificar produtos adulterados