Tô com Fome

EFEITO OZEMPIC CONTRA CONSUMO

Queda de mais de 60% na frequência de bares e restaurantes

Sim, um dado preocupante, porque 61% dos bares e restaurantes já identificam mudanças no consumo causadas pelos remédios para emagrecimento

Por ABRASEL

16/04/2026 - 11:08

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Levantamento da Abrasel aponta diminuição de pedidos por pratos principais e sobremesas, maior demanda por porções menores e reconfiguração no consumo de bebidas

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O aumento do uso de medicamentos para emagrecimento começa a refletir no comportamento de consumo em bares e restaurantes no Brasil. Levantamento da Abrasel indica que 61% dos empresários do setor já perceberam mudanças associadas ao uso de remédios como o Ozempic e Mounjaro.

No entanto, o movimento ainda ocorre de forma gradual. Entre os entrevistados, as alterações são classificadas principalmente como leves ou moderadas, o que aponta para um processo de adaptação progressiva, sem ruptura brusca no padrão de consumo. Os efeitos mais intensos aparecem com maior frequência em estabelecimentos de menor porte, que tendem a ser mais sensíveis às oscilações de demanda.

A mudança já é percebida, mas ainda ocorre de forma gradual. O consumidor continua frequentando bares e restaurantes, porém com escolhas mais moderadas. Esse movimento tende a ganhar força nos próximos meses, especialmente após o fim da patente da semaglutida, em março deste ano, que já abriu caminho para a produção de versões genéricas e similares mais acessíveis”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

Menos sobremesas e mais moderação nos pedidos

Entre os principais impactos identificados pela pesquisa está a redução no consumo de pratos principais e, principalmente, de sobremesas. Mais da metade dos empresários (56%) percebeu mudanças no volume de pedidos dos pratos principais, com predominância de quedas moderadas. No caso das sobremesas, 65% notaram alterações e, entre esses, um em cada cinco relatou forte redução na demanda.

O comportamento sugere uma busca mais evidente por restrição calórica nas escolhas individuais. Essa tendência também se reflete no aumento da preferência por porções menores.

Segundo o levantamento, 64% dos empresários observaram crescimento nos pedidos de miniporções, enquanto mais de 70% apontaram maior frequência de escolhas consideradas mais leves. A prática de compartilhar pratos principais também avançou, sendo mencionada por 64% dos entrevistados.

As mudanças também atingem o consumo de bebidas. Embora 65% dos empresários tenham notado alterações nos pedidos de bebidas alcoólicas, o avanço das opções não alcoólicas é mais consistente. Mais da metade dos entrevistados (53%) percebeu crescimento nesse tipo de consumo.

Também aumenta a substituição de bebidas alcoólicas por alternativas sem álcool ou com menor teor, especialmente em estabelecimentos de maior faturamento.

Quase metade dos negócios ainda não têm estratégias

Ainda de acordo com a pesquisa, o cenário já se reflete nas finanças do setor. Quatro em cada dez empresários afirmam que ainda não conseguiram compensar a redução no volume consumido por cliente, o que acelera a necessidade de ajustes nas estratégias comerciais.

Entre os estabelecimentos que buscam alternativas, a criação de combos e menus estruturados é a mais adotada, presente em 26% dos estabelecimentos. Outra estratégia comum é o estímulo ao aumento da frequência de visitas dos consumidores, citado por 22% dos empresários. Nesse caso, a lógica é equilibrar um tíquete médio menor com maior recorrência do cliente ao longo do tempo.

Também ganha espaço a oferta de itens de maior valor agregado, adotada por 21% dos entrevistados. Além dessas iniciativas, começam a surgir adaptações mais direcionadas ao novo perfil de consumo, como a inclusão de pratos com menor valor calórico, pensados especialmente para clientes que utilizam os medicamentos para emagrecimento.

O setor de alimentação fora do lar tem um histórico positivo de adaptação às mudanças no comportamento do consumidor. Como este ainda é um movimento recente, é natural que os impactos sejam sentidos com maior intensidade neste momento, mas já há espaço para inovação e ajustes", diz Solmucci.

"Essas estratégias, além de contribuírem para equilibrar margens, podem inclusive ampliar a capacidade dos estabelecimentos de atrair perfis de clientes mais diversificados”, conclui.