Geral

coluna política

Faltam 02 dias para o 1º turno

Por Caio Coppolla

02/10/2026 - 14:45

unnamed(8).png
  
 
"A censura, no seu mais alto grau."


 

Flávio Bolsonaro, sobre a decisão da ministra indicada por Lula, que proibiu a Globo de mostrar a cadeira vazia do petista, e impediu os demais candidatos de endereçarem perguntas ao ausente presidente da República





Edição #38 | Boletim Coppolla Eleições 2026 ►   Play Online



Bem-vindos ao Brasil, país em que o último debate presidencial é cancelado a duas horas de ir ao ar, por insegurança jurídica e censura provocadas por juízes aliados do candidato ausente - e tudo isso enquanto comentaristas políticostêm vídeos derrubados sem ordem judicial.


Quarenta e oito horas antes de o país escolher um presidente.


Vejamos. 

 






Globo cancela o último debate presidencial minutos antes de ir ao ar




Quatro decisões judiciais em um dia alteraram as regras do debate marcado para as 21h30 desta quinta (1º). A emissora cancelou e exibiu, no lugar, um capítulo da novela "Quem ama cuida".


A que matou o programa veio às 18h30: a ministra Estela Aranha proibiu a exibição do púlpito vazio identificado com o nome de Lula e vedou perguntas ao ausente - que, diga-se de passagem, é o presidente da República em exercício, portanto sujeito a questionamento por todo e qualquer cidadão. Ambas as regras constavam do regulamento assinado pelas campanhas, inclusive a do PT - mas temos observado o desapreço do lulopetismo por compromissos estabelecidos, como no recente caso da proibição das apostas esportivas, sem devolução das outorgas.


A palavra de Lula já vale muito pouco, mas se desvaloriza cada vez mais.


Flávio Bolsonaro, que confirmara presença mesmo sem o adversário, declinou sua participação alegando "censura imposta pelo TSE". Lula já recusara o convite e gravou entrevista no Flow Podcast, às 20h45 - mesma estratégia que a campanha petista já havia lançado mão no debate da Band: agendar uma conversa chapa-branca, em ambiente controlado, no mesmo horário.


A Globo atribuiu o cancelamento à "insegurança jurídica" e à "interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais". Abert, ANJ e Aner falaram em "agressão à liberdade de imprensa".


O eleitor chega ao domingo sem ter visto, em toda a campanha, os dois primeiros colocados no mesmo palco.


Saiba mais



Governo articulou no STF a entrada de Renan Santos no debate




Apuração de Basília Rodrigues, do SBT News, revelou que ministros do governo atuaram junto a integrantes do Supremo em favor da participação de Renan Santos (Missão) no debate.


Por que será? Como questionava o orador romano Cícero, 'cui bono?', 'a quem beneficia' a participação do candidato do partido Missão? A julgar pelo entusiasmo da esquerda em levá-lo ao debate, ao PT.


Nunes Marques, presidente do TSE, negou. Cármen Lúcia também negou, afirmando que a matéria é da Justiça Eleitoral. Horas depois, o Solidariedade - partido de esquerda - apresentou novo pedido, e Gilmar Mendes - aliado de ocasião de Lula, mentor intelectual dos primórdios do MBL - determinou a inclusão, momentos antes do 'show da democracia'.


Duas negativas e uma concessão, vinda do terceiro gabinete acionado, na matéria que a segunda ministra declarara não ser do Supremo.


Renan correu aos estúdios, soube do cancelamento ao chegar e teve a equipe barrada na portaria.


Saiba mais
 

 
 




O regulamento que o PT assinou




O regulamento do debate da Globo foi negociado durante meses e assinado por todas as campanhas, inclusive a do PT. Duas cláusulas interessam: o púlpito do ausente ficaria vazio e identificado, e os presentes poderiam formular, em trinta segundos, a pergunta que lhe fariam.


O partido leu, concordou e subscreveu.


Às 18h30 de ontem, a duas horas do ar, a ministra Estela Aranha proibiu as duas.


Se a cláusula era ilícita, por que o PT a assinou? E se era lícita, com que fundamento se rasga contrato válido na véspera, em proveito exclusivo de quem o firmou?


Não há terceira hipótese.


Quanto à magistrada, convém saber quem é.


Estela Aranha relata o registro de candidatura de Flávio Bolsonaro no TSE, conforme noticiou o Metrópoles em agosto. O processo lhe coube por prevenção: ninguém a escolheu.


Mas ela escolheu permanecer.


Levantamento do Portal Claudio Dantas, extraído do sistema de prestação de contas da Justiça Eleitoral, aponta três doações eleitorais feitas por ela antes da toga, a candidatos do PT e do PSOL. Advogou para Lindbergh Farias, petista que hoje litiga contra o mesmo Flávio cujo registro ela relata. Chefiou a Secretaria Nacional de Direitos Digitais sob Flávio Dino. E chegou à cadeira por indicação do presidente, com apoio do próprio Dino, segundo a Folha.


Nada disso é ilegal. A suspeição, porém, nunca tratou de desonestidade. Trata de aparência, e cabe ao próprio magistrado declará-la.


Setenta e duas horas dessa ministra: na quarta, mandou Nikolas Ferreira apagar publicação sobre fala do presidente, sem apontar uma inverdade sequer. Na madrugada de quinta, fechou o placar no caso Nossa Senhora. Na noite de quinta, vetou o púlpito vazio.


Três decisões, três dias, nenhuma contrariando o Planalto.


E não operou sozinha. Nunes Marques negou a Renan Santos o ingresso no debate. Cármen Lúcia também negou. Horas depois, Gilmar Mendes deferiu o que dois gabinetes haviam indeferido.


Quantas vezes a parte interessada precisa acertar o gabinete até que a coincidência perca o nome?


A Globo falou em insegurança jurídica. Abert, ANJ e Aner, em agressão à liberdade de imprensa. Corretíssimos, e com sete anos de atraso: a insegurança jurídica nasceu em 2019, com o Inquérito das Fake News, e foi tolerada enquanto atingia apenas quem aquelas redações combatiam.


Chegou ao estúdio. Virou escândalo.


O cancelamento foi acertado. Melhor estúdio vazio que estúdio emprestado a quem rasga na véspera o que assinou em julho.


Resta o eleitor, que não subscreveu regulamento nenhum e chega ao domingo sem ter visto, uma única vez nesta campanha, os dois primeiros colocados no mesmo palco.


E a ministra que lhe negou essa cena amanhece segunda-feira com o registro de um deles nas mãos. 
 

 
 


Cui bono


Como dissemos acima, foi Cícero – orador, advogado e político da Roma Antiga – que consagrou à posteridade o princípio cui bono, ‘a quem beneficia’, em uma investigação de culpa.


A situação que trouxe cui bono até os nossos dias está ligada a um processo criminal defendido por  Cícero em 80 a.C., conhecido como Pro Roscio Amerino (em defesa de Róscio de Améria). O réu havia sido acusado de parricídio, isto é, de tirar a vida do próprio pai. O caso era particularmente delicado porque ocorreu em um período atribulado e de marcante violência política em Roma. Cícero construiu sua defesa a partir de uma pergunta essencial: quem teria interesse ou se beneficiaria com a morte do pai de Róscio? Cui bono? A ideia era que, para descobrir o verdadeiro responsável por um delito, é útil averiguar quem teria obtido maior vantagem com ele.


Ontem, saltou aos olhos o contorcionismo institucional – coroado pelo decano do STF, atendendo a pedido de um partido de esquerda, aliado do governo – para levar ao debate um candidato que ainda não ultrapassa 3% de intenções de voto e sequer preenche os requisitos estabelecidos pela lei eleitoral.


Será que é ‘pela democracia’?


Mais lógico é seguir o caminho de Cícero: cui bono?


A quem interessa essa presença exótica no debate, além do próprio candidato?


Quando a campanha do PT e aliados do Lulopetismo, da política aos tribunais, unem forças, a resposta está dada: a esquerda queria a participação de Renan Santos no debate, porque entendem que seu discurso os beneficia.


Impossível não reconhecer que Renan está fazendo bem para a campanha governista.


Cui bono? Lula. 

 
 



O que os advogados estão dizendo


Faltam dois dias, e uma pergunta circula entre eleitoralistas: até onde vai a competência do Supremo sobre matéria da Justiça Eleitoral?


A coluna de Silvio Ribas, nesta quinta, foi atrás de quem conhece o terreno. O advogado eleitoral Rodrigo Queiroga avalia que o temor de intervenção sobre o resultado é real, mas com pouca chance de se viabilizar. Desfazer eleição presidencial, observa, é tarefa de outra ordem que anular pleito municipal ou estadual.


E há freio funcionando. O recuo imposto a Dino por Fux, somado à reação pública de Kassio Nunes Marques, delimitou o avanço sobre a seara eleitoral.


O presidente do TSE usou uma expressão que vale guardar: "captura institucional". A preocupação dele é que decisões tomadas fora da Justiça Eleitoral a desestruturem em plena campanha, e que as partes passem a buscar ministros específicos para reverter derrotas.


É a questão que o plenário do Supremo ainda não enfrentou. Fachin não pautou o caso na quarta, e não há data marcada.


Dois dias para a urna.

 
 


PRECISAMOS DE 10.000
2022 foi a eleição mais acirrada da história, vencida por 50,9% dos votos válidos.


Na prática, os rumos do país foram traçados por 1.069.823 eleitores - pouco politizados, desinformados e influenciados por narrativas.
Menos de 1% do eleitorado decidiu o destino dos outros 99%.


Nossa tese é simples: não é preciso convencer o país inteiro. Bastam dez mil pessoas bem informadas - em mesas de almoço, grupos de WhatsApp, escritórios e empresas. Cada uma delas alcança outras cem ao longo de uma campanha. Dez mil pessoas impactam um milhão de eleitores.


Somos 9.341, e faltam 02 dias para o 1º turno.


Pense em uma pessoa que precisa ler o Boletim. Mande o endereço desta edição para ela agora, antes de fechar este e-mail: boletimcoppolla.com.br


Se essa notícia importa, ela não deveria ficar só com você.


É assim que tornaremos o impossível, inevitável.