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RoraiFrut: do negócio familiar à referência em frutos amazônicos com extrativismo sustentável

Nasceu de uma produção voltada à subsistência e hoje movimenta a cadeia de frutos nativos, somente em 2025, a RoraiFrut movimentou mais de meio milhão de reais em operações com extrativistas

Por SebraeRR

15/03/2026 - 10:16

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Como transformar frutos da floresta, antes consumidos apenas pela própria família, em um negócio capaz de gerar renda para comunidades e fortalecer a economia local?

A resposta começa na trajetória da RoraiFrut, empresa roraimense que nasceu de um pequeno empreendimento familiar e hoje se consolida como referência no aproveitamento sustentável de frutos amazônicos. 

A origem do negócio remonta à chegada dos pais de Isabel Garcia a Roraima, após migrarem do Amazonas.

A família passou a coletar frutos nativos como açaí, buriti, bacaba e patauá, inicialmente para consumo próprio. Com o tempo, o excedente começou a ser vendido de forma informal, impulsionado pela qualidade dos produtos e pela procura crescente. Com o passar dos anos, a atividade ganhou estrutura e organização. Hoje, a empresa é conduzida por Isabel Garcia, sócia-administradora; Gabriella Carvalho, diretora de Gestão de Marketing e Comercial; e Edson Bernardes, diretor de Gestão de Produção.

A nova gestão ampliou o portfólio de produtos, apostou no marketing digital e passou a estruturar uma cadeia produtiva baseada na sustentabilidade e na valorização da biodiversidade amazônica. 

Segundo Gabriella Carvalho, a empresa nasceu de forma simples, mas com grande potencial de crescimento. 

“A RoraiFrut surgiu de um negócio familiar voltado à subsistência, iniciado pelos pais da Isabel quando vieram do Amazonas para Roraima. Eles começaram consumindo os frutos da região e depois passaram a vender de forma informal. Com o tempo, percebemos que havia uma grande oportunidade de estruturar essa cadeia produtiva e levar os frutos da Amazônia para mais consumidores”, explicou. 

Estruturação e desafios 

Nos primeiros anos, um dos maiores desafios foi estruturar toda a operação comercial praticamente do zero.

A empresa precisou organizar desde a coleta dos frutos na floresta até o processamento e a venda final. Também foi necessário desenvolver métodos para garantir qualidade e segurança alimentar, já que não havia tecnologias apropriadas disponíveis no início da operação. Com o crescimento da demanda, outro desafio surgiu: envolver mais pessoas na coleta extrativista. Isso exigiu um trabalho de orientação sobre práticas sustentáveis, principalmente para garantir que a exploração dos frutos não causasse impactos ambientais. 

“A gente também precisou fazer um trabalho de conscientização com os extrativistas sobre a importância de respeitar o tempo de maturação dos frutos e evitar práticas que possam prejudicar as árvores”, destacou Gabriella.

 Já na fase mais recente da empresa, os desafios passaram a ser administrativos. Entre eles estão a adaptação à gestão empresarial, a digitalização de processos e a organização logística necessária para acompanhar o crescimento do negócio. 

Sustentabilidade na prática

 Um dos principais diferenciais da RoraiFrut está na forma como organiza sua cadeia produtiva. A empresa trabalha diretamente com extrativistas e produtores locais, orientando sobre práticas que respeitem o ciclo natural das espécies. A coleta sustentável evita, por exemplo, a derrubada de árvores para facilitar o acesso aos frutos - uma prática que ainda ocorre em algumas regiões. 

“Se o extrativista respeitar a época da safra e fizer a coleta de forma correta, ele consegue manter uma fonte de renda todos os anos. Por isso a gente trabalha muito essa conscientização com nossos fornecedores”, explicou Gabriella. 

A empresa também mantém um sistema de rastreabilidade que acompanha todo o processo, desde o local de coleta até as condições de transporte das frutas. O objetivo é garantir que o produto chegue em boas condições para o processamento. Entre as orientações repassadas aos fornecedores está o uso de sacos de fibra novos e lonas limpas durante o transporte, o que ajuda a conservar melhor os frutos e reduzir impactos ambientais. 

Outro ponto importante é o aproveitamento de resíduos gerados no processamento. Parte desse material já vem sendo utilizada por produtores rurais como complemento na alimentação de animais, substituindo parte da ração tradicional. 

Inovação e apoio institucional 

A trajetória da RoraiFrut também está ligada a programas de inovação e empreendedorismo que ajudaram a estruturar o modelo de negócios da empresa. Em 2022, a empresa participou do Inova Amazônia, programa que marcou um ponto de virada na organização e no crescimento do empreendimento. 

“O Inova Amazônia ajudou a gente a entender melhor o nosso modelo de negócio, identificar desafios e desenvolver soluções para fortalecer a cadeia produtiva de frutos nativos. Além disso, trouxe muita visibilidade e nos conectou com empreendedores de outros estados”, afirmou Gabriella. 

O Sebrae também teve papel importante nesse processo. As sócias, que são engenheiras agrônomas e vieram da área de pesquisa, encontraram na instituição apoio para transformar conhecimento técnico em um negócio estruturado. 

A empresa também participou de iniciativas como o ALI (Agentes Locais de Inovação) e o Move+, programas que contribuíram para fortalecer a gestão e ampliar o acesso a novos mercados. 

Crescimento e novos mercados 

Com a participação nesses programas e o fortalecimento da gestão, a RoraiFrut conseguiu ampliar significativamente sua presença no mercado local. A entrada no Move+, por exemplo, impulsionou as vendas no modelo B2B, voltado para negociações entre empresas. Segundo Gabriella, esse processo também ajudou a ampliar o alcance da marca dentro da própria capital.

 “Antes do Move+, a gente tinha muita dificuldade de alcançar consumidores em bairros mais centrais de Boa Vista. Hoje nossos produtos chegam praticamente a toda a cidade”, contou. 

O crescimento também foi refletido no faturamento da empresa. Nos últimos anos, a RoraiFrut registrou aumento de quase 50% nas receitas, resultado que permitiu ampliar a produção e organizar melhor o estoque. Em 2025, por exemplo, a empresa conseguiu formar um estoque de três toneladas de polpas de açaí, garantindo a oferta do produto mesmo durante o período de entressafra. 

Impacto social 

Além do crescimento do negócio, a RoraiFrut também tem impacto direto na geração de renda para comunidades que vivem do extrativismo. Por meio de parcerias com fornecedores locais, a empresa garante renda para famílias que atuam na coleta sustentável de frutos amazônicos. 

Somente em 2025, a RoraiFrut movimentou mais de meio milhão de reais em operações com extrativistas, valor que tende a crescer à medida que o negócio se expande. Ao transformar a matéria-prima em polpas e outros produtos, a empresa também contribui para a industrialização local, agregando valor aos frutos da Amazônia e fortalecendo a economia regional. 

“Todos os nossos passos tiveram apoio do Sebrae. Primeiro com o ALI, que abriu portas para a inovação dentro da empresa, depois com o Inova Amazônia, que trouxe uma visão estratégica maior, e mais recentemente com o Move+, que ajudou a estruturar nosso mercado e ampliar as vendas”, concluiu Gabriella. 

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